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Startup: as empresas jovens
MAIO 2019
 
 
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Termo popularmente propagado na década de 1990, mais especificamente na região do Vale do Silício, na Califórnia (EUA), startup está ligado diretamente às empresas do segmento de tecnologia. No Brasil, o uso da palavra só aconteceu de fato no contexto da “bolha ponto.com”, entre 1996 e 2001, que começou a ser usado por aqui. Apesar desse histórico, a palavra, que não possui uma única definição, tem sido aplicada para definir uma empresa ou organização em estágio inicial que possui um modelo de negócio inovador, em um ambiente de incerteza, geralmente da área tecnológica, que tem um grande potencial de crescimento – ou seja uma empresa escalável.

De todas essas características, talvez escalável seja a que mais represente a startup, pois lida diretamente com o potencial de crescimento infinito, que influencia diretamente no modelo de negócio. Essas empresas geralmente têm uma receita crescente numa velocidade maior do que seu próprio custo, o que permite uma grande margem na operação e o constante interesse de investidores.

Outra definição importante do significado de startup é dada pelo empreendedor e autor do Vale do Silício, Eric Ries, conhecido por ter escrito o best-seller A startup enxuta (The lean startup). Segundo Ries, “a Startup é uma instituição humana desenhada para criar um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza”.

Vale destacar que o termo não pode ser aplicado a qualquer nova empresa e que startup é um estágio, ou seja, nem toda startup será assim para sempre. Uma farmácia de bairro tradicional que acabou de ser inaugurada, por exemplo, não é uma startup, pois o modelo de negócio é tradicional e possui uma viabilidade comprovada, diferentemente de um modelo inovador que desafia o risco.



Inovação
Inovar não significa criar sempre algo novo. A inovação é a capacidade de propor soluções criativas e peculiares que desafiam o comum, buscando alternativas para determinado problema. As startups são empresas que respiram inovação e precisam constantemente enxergar o mundo de um jeito diferente e oferecer produtos que podem revolucionar ou que segmentem novos mercados. Está no DNA da startup ser inovadora.

Outro ponto de destaque para startups inovadoras são as vantagens estratégicas geradas pela inovação em produtos e serviços, processos e projetos, o que gera valor à empresa.


Investimento
O início do negócio para as startups é recheado de desafios, pois por conta de sua própria característica ela se encontra em um ambiente de negócios incerto, com baixo grau de previsão e de alto risco, principalmente nos meses iniciais. Segundo a publicação do Sebrae Causas da mortalidade de startups brasileiras, pelo menos 25% das startups morrem com um tempo menor ou igual a um ano. É devido a esse risco que elas precisam de financiamentos diversos em cada fase de seu desenvolvimento.

O tipo de investimento conhecido para o início do negócio é chamado de capital semente (seed). Esse investimento serve para sustentar as primeiras atividades da startup, de modo que ela consiga uma mínima estabilidade financeira até receber novos aportes e rodadas de investimento. Há diversas formas de capital semente, que variam desde o investimento do próprio investidor até a participação de amigos, investidor-anjo e crowdfunding.

Num estágio mais avançado, com a startup mais consolidada, madura e com um direcionamento já pré-estabelecido, a empresa pode receber investimento venture capital (capital de risco) em troca de vendas das suas ações.

Os tipos de investidores mais comuns para startups são:

Investidor-anjo: bastante conhecido no ambiente de negócios brasileiro, o investidor-anjo geralmente é representado na figura de um ex-empresário / empreendedor que já conta com uma trajetória no ambiente de negócios e que dispõe de recursos suficientes para investir em empresas com potencial de escala. O investidor-anjo também participa da mentoria do negócio, compartilhando sua experiência no mundo do negócio de modo que acelere os resultados positivos no processo.

Bootstrapping (investimento próprio): investimento feito pelo próprio empreendedor, por meio de um dinheiro proveniente da poupança ou de empréstimo, em busca do lançamento do negócio. Outro formato de investimento não contábil é na forma de tempo e esforço no início da startup.

Capital de risco: modalidade de investimento por meio da compra de participação acionária na empresa.


Ambiente das startups
Antigamente, as startups eram conhecidas por surgirem em lugares comuns, como na casa dos empreendedores. Um dos exemplos mais famosos foi o surgimento da Apple e da HP, nas respectivas garagens dos seus fundadores.

Passados alguns anos, as startups começaram a se inserir em ambientes de negócios mais propícios ao seu crescimento, principalmente em espaços que contêm networking e infraestrutura para o bom desempenho dos negócios.

Coworking: ambiente compartilhado de trabalho, onde o residente usufrui de infraestrutura e divide o dia a dia com empresas diversas.

Incubadoras: entidades que buscam promover os negócios de caráter inovador como as empresas nascentes, por meio do oferecimento de suporte para desenvolvimento de ideias e práticas. O suporte varia desde a infraestrutura concedida para o incubado até na mentoria do negócio, que dá as diretrizes e o caminho a ser seguido pelos empreendedores.

Aceleradoras: as aceleradoras têm como principal objetivo levar uma empresa do estágio que ela se encontra a um mais avançado de maneira rápida e por meio de investimento de recursos financeiros e mentoria. É comum nesse processo a aplicação de metodologias de aceleração, assim como a aceleradora tornar-se sócia do empreendimento.


Startups no Brasil
O cenário de startups no Brasil passa por um constante processo de amadurecimento, estima-se que no país exista cerca de 62 mil empreendedores e 6 mil startups. De 2012 para 2017 o número saltou de 2.159 startups para 5.147, segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups).

Ainda, segundo a pesquisa, o perfil dos empreendedores cadastrados na base de dados da ABStartups é compostos por 72% de jovens entre 25 e 40 anos de idade, sendo 87,13% comandadas por homens e 12,3% por mulheres.

Em 2018, o Brasil ganhou seus primeiros unicórnios (startups que atingem o valor de mercado de US$ 1 bilhão). Os responsáveis pelo feito foi o aplicativo de transporte 99 e a startup de serviços financeiros Nubank. Nesse cenário de efervescência, os setores com maiores destaques atualmente no ambiente das startups são de educação (edutechs), agronegócio (agtechs) e finanças (fintechs).

Para representar esse cenário crescente, em 2011, foi criada a ABStartups, instituição sem fins lucrativos que tem como objetivo impulsionar o cenário das startups tecnológicas no Brasil e dar auxílio aos novos profissionais no ramo. A associação é responsável pelo maior evento de startups do país, a Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo (Case).


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