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A importância do empreendedorismo no Brasil
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O brasileiro é um povo empreendedor; Três em cada quatro brasileiros preferem empreender; 76% dos brasileiros sonham em ser dono do seu próprio negócio.

Frases como essas são cada vez mais presentes na mídia e mostram a tendência do empreendedorismo no dia a dia do brasileiro. Todas as citações acima são reais e estão presentes nos resultados das pesquisas do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e da Endeavor, duas das principais entidades de fomento do empreendedorismo no Brasil.

No Brasil, histórias de empreendedorismo estão presentes desde antes da chegada dos portugueses ao país, começando pelos índios. No entanto, o empreendedorismo começa a se destacar no país a partir da primeira Revolução Industrial, no século XVIII, que traz a necessidade de construção das grandes infraestruturas, como ferrovias e vias para escoamento e movimentação da produção. Nesse período, entre 1800 e 1900, o empreendedor é representado em seu mais alto nível pela figura do Barão de Mauá, notório investidor em infraestrutura no país, responsável pelas primeiras grandes construções. Nesse momento, até meados da década de 1920, o empreendedorismo esteve muito ligado aos projetos dos grandes investidores.

É a partir da década de 1990, com a abertura econômica do país, que o empreendedorismo se populariza no Brasil e se torna crescente na participação econômica. Por conta da entrada de empresas estrangeiras no mercado nacional, alguns setores começam a diversificar os negócios como estratégia competitiva, abrindo espaço para um perfil de empreendedor mais variado, menos ligado às grandes construções e mais preocupado com serviços e novos produtos. Esse perfil ganha mais força com a entrada da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, no ano de 2007, e da Lei do Microempreendedor Individual, no ano de 2008.

Foto: TheDigitalWay/Pixabay



Lei Geral da Micro e Pequena Empresa
Aprovada no primeiro mandato da gestão Lula, a lei beneficia e simplifica o tratamento para as empresas desse cenário. Foi criada a partir de um esforço conjunto entre os entes da União e sancionada por meio da Lei Complementar 123/06. Os principais destaques da lei são as mudanças no regime tributário e a diminuição das burocracias empresariais para fomentar os pequenos negócios. Segundo o Sebrae, as micro e pequenas empresas representam 99% do perfil das empresas no país, sendo um total de 6,4 milhões de estabelecimentos. Elas são responsáveis por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado, que representa 16,1 milhões de trabalhadores.

As micro e pequenas empresas podem faturar até R$ 2,4 milhões no ano. Uma das principais vantagens para os empreendedores desse cenário foi a criação do Simples Nacional, regime compartilhado e simplificado de arrecadação, cobrança e fiscalização de tributos para MPEs.


Microempreendedor Individual (MEI)
Essa categoria foi criada pela Lei Complementar nº 128/2008 e permite que o empreendedor, como pessoa jurídica, possa trabalhar por conta própria e formalizado enquanto pequeno empreendedor. O MEI pode faturar até R$ 81 mil reais no ano. No primeiro trimestre de 2019, o número de MEI no país ultrapassou a marca de 8 milhões de pessoas, segundo dados do Portal do Empreendedor do Governo Federal.

Nesse ano, a categoria completa dez anos de criação e teve como principal objetivo incentivar a formalização de pequenos negócios de trabalhadores autônomos, pequenos comerciantes e outros profissionais que prestam um serviço de baixo custo. O crescimento dessa categoria também corresponde ao cenário de desemprego no país, muitas vezes tornando-se uma opção temporária, no chamado “empreendedorismo por sobrevivência”, que será mais descrito nos tópicos abaixo.


Tipos de empreendedorismo
Muitos autores clássicos do gênero de administração e negócios classificam o empreendedorismo por tipo. Dentre os mais comuns, destacam-se:

Intraempreendedor (empreendedor corporativo): é o empreendedor que atua dentro de uma empresa e por meio de sua atitude e engajamento busca inovar processos e trazer novos formatos que agreguem valor ao dia a dia de trabalho. As empresas mais atentas ao processo de inovação têm buscado esse perfil para se manter na vanguarda da tecnologia e da transformação.

Empreendedor social: é o empreendedor que busca por meio de um negócio lucrativo gerar impacto e desenvolvimento na sociedade. O objetivo é promover qualidade de vida e integrar pessoas dentro de um universo equilibrado entre negócio e sustentabilidade. Diferentemente das ONGs, geralmente associadas ao trabalho social no Brasil, o empreendedor social utiliza da sua presença no mercado e sua ferramenta para geração do negócio e resultados com foco na solução de problemas reais.

Empreendedor de negócio: é o empreendedor que está competindo no mercado, em busca de novos negócios, relacionamento e conquista de clientes. Tem metas claras de faturamento, planejamento estratégico e foco agressivo na lucratividade do negócio.


Sebrae
No Brasil, o empreendedorismo sempre teve um grande aliado no fomento da atividade. Criado na década de 1970, o Sebrae é uma entidade privada brasileira de serviço social e um dos componentes do Sistema S, juntamente com Sesc (Serviço Social do Comércio), Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), entre outros.

Desde a sua criação, o Sebrae tem como missão fomentar o ecossistema empreendedor por meio de capacitação técnica e estímulo ao ambiente competitivo e desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Além das consultorias em diversos segmentos, é responsável por diversos programas de amplitude nacional, entre eles o Empretec, curso intensivo para desenvolvimento de atitudes empreendedoras.

Segundos dados levantados no período de 2014 a 2017, o Sebrae registrou um número de 33 milhões de atendimentos, na sua maioria gratuita, sendo o MEI a categoria com o maior percentual de demanda (33%).


Perfil do empreendedor brasileiro
De acordo com o Data Sebrae, plataforma com dados do ambiente dos pequenos negócios, o perfil do empreendedor brasileiro é representado majoritariamente por pessoas do sexo masculino, em torno de 65%, com a idade média de 45 anos e com Ensino Fundamental incompleto.

A maioria dos empreendedores brasileiros está situada no estado de São Paulo (4,9 milhões), sendo seguido respectivamente por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.

Outro dado relevante é que ter um negócio próprio é o quarto sonho do brasileiro, segundo o questionário do Sebrae. Fica atrás somente dos sonhos ditos mais convencionais (viajar pelo Brasil, ter a casa própria e comprar um automóvel).

No entanto, nem tudo são flores. Segundo dados da mesma plataforma, um terço dos negócios no Brasil fecha em até dois anos. As principais causas da mortalidade são: diminuição no consumo, somado ao aumento do peso dos impostos e a grande escassez de crédito para capital de giro.


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