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Bolsonaro é eleito presidente do Brasil
OUTUBRO 2018
 
 
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 ELEIÇÕES NO BRASIL
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Jair Bolsonaro, do PSL, derrota Haddad do PT e se elege presidente do Brasil. Foto:Divulgação

Em 29 de outubro de 2018, o segundo turno das eleições no Brasil transcorreu tranquilamente e comprovou a consolidação do processo democrático do país. Em poucas horas já se sabia quem seria o 38º presidente da República do Brasil e quais seriam os governadores de treze estados e do Distrito Federal.

Com 100% da apuração das urnas, Jair Bolsonaro do PSL (Partido Social Liberal) obteve 55,13% dos votos válidos, conquistando 57.796.986 votos. Fernando Haddad PT (Partido dos Trabalhadores) teve 44,87% dos votos válidos, o equivalente a 47.038.963 votos.

As abstenções somaram 21,3% (31,3 milhões de votos). Votos brancos foram 2,14% (2,4 milhões de votos) e nulos, 7,43% (8,6 milhões de votos).

Com esses resultados, Bolsonaro é o novo presidente do Brasil - o 38º da história do país. O 16º presidente militar da história e o 3º a chegar ao poder pelo voto direto. Os outros foram Hermes da Fonseca, em 1910, e Eurico Gaspar Dutra, em 1945.

Bolsonaro receberá a faixa presidencial no dia 1º de janeiro de 2019 e deverá ficar no cargo até 31 de dezembro de 2022.



Propostas de Bolsonaro


Segurança e Diretos Humanos
Bolsonaro defende a liberdade de escolha, desde que não interfiram em aspectos essenciais da vida do próximo. Afirma que em seu governo política dos direitos humanos será redirecionada com prioridade para a defesa das vítimas da violência, como a reforma do Estatuto do Desarmamento e o direito de as pessoas usarem armas em “legítima defesa”. Defende a redução da maioridade penal para 16 anos, é contrário à progressão de penas e as saídas temporárias de presos em datas especiais, os chamados saidões.

Economia
Defende a privatização ou extinção de estatais. A ideia é reduzir o pagamento de juros com a venda de ativos públicos. Com relação à Reforma da Previdência, defende a implantação de um modelo de capitalização do setor. Uma das promessas é reduzir de forma gradativa os impostos, por meio da eliminação e unificação de percentual de desconto. Quer instituir uma renda mínima para todas as famílias, em valor acima do benefício pago pelo programa Bolsa Família.

Saúde
Quer adotar o chamado “Prontuário Eletrônico Nacional Interligado” em postos, ambulatórios e hospitais para reduzir despesas e facilitar o atendimento. Sobre os “Mais Médicos”, o plano de Bolsonaro é imigrar Cubanos desde que o profissionais sejam aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira (Revalida). Os médicos cubanos passariam a receber o valor integral pago pelo governo brasileiro. Atualmente o valor é redirecionado, via convênio com a Organização Pan-americana da Saúde (Opas), para o governo de Cuba.

Ciência e tecnologia
Jair Bolsonaro propõe o estímulo a polos descentralizados nos quais haveria parceria entre universidades e a iniciativa privada. Defende o fomento de “hubs” tecnológicos nos quais universidades se aliam à iniciativa privada “para transformar ideias em produtos”. Propõe investimentos na exploração de energia renovável solar e eólica no Nordeste e pesquisa e desenvolvimento em grafeno e nióbio.

Educação
Dará prioridade à educação básica, do ensino infantil ao médio. Defende a educação à distância para o ensino fundamental como alternativa "para as áreas rurais onde as grandes distâncias dificultam ou impedem aulas presenciais”. Propõe parcerias entre Universidades e iniciativa privada a fim de gerar avanços tecnológicos para o Brasil. Em entrevistas, defendeu a diminuição das cotas raciais em universidades e concursos públicos. “Propõe mudanças no conteúdo e método de ensino, mais matemática, ciências e português, sem doutrinação e sexualização precoce”. Ele pretende resgatar a disciplina de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira nas escolas.

Política Externa
Defende que o Ministério das Relações Exteriores precisa estar a serviço de valores que sempre foram associados ao povo brasileiro. Quer fomentar o comércio exterior com países que possam agregar valor econômico e tecnológico ao Brasil, como os Estados Unidos.

Apoio
Bolsonaro chega à Presidência com o apoio declarado de 15 dos 27 governadores que também saíram vitoriosos nas eleições deste ano.

Nas regiões Sul e Centro-Oeste, todos os governadores eleitos declararam apoio ao pesselista. Ronaldo Caiado (DEM) e Mauro Mendes (DEM), que saíram vitoriosos no 1º turno em Goiás e Mato Grosso, respectivamente, estiveram ao lado de Bolsonaro na fase decisiva das eleições. Eleito no 1º turno, no Paraná, Ratinho Júnior (PSD) também manifestou apoio a Bolsonaro.

Eleitos no 2º turno, Ibaneis Rocha (PMDB), no Distrito Federal; Reinaldo Azambuja (PSDB), no Mato Grosso do Sul; Eduardo Leite (PSDB), no Rio Grande do Sul; e Comandante Moisés Silva (PSL), em Santa Catarina, completam os governadores das duas regiões em que os novos governos apoiam o presidente eleito.

Na região Sudeste, os governadores eleitos João Doria (PSDB), em São Paulo; Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais; e Wilson Witzel (PSC), no Rio de Janeiro, também apoiam Bolsonaro.

O governador eleito pelo Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), vitorioso ainda no 1º turno, decidiu ficar neutro em relação à disputa presidencial, apesar do apoio formal de seu partido ao petista Fernando Haddad. A decisão tem a ver com a necessidade de Casagrande compor uma base de apoio no Legislativo estadual, pois a maior parte dos deputados eleitos no Espírito Santo são apoiadores de Jair Bolsonaro.

Na Região Norte, dos sete governadores eleitos, dois ficaram indefinidos no 2º turno em relação ao pleito presidencial: Mauro Carlesse (PHS), no Tocantins; e Hélder Barbalho (MDB), no Pará. Os demais eleitos são aliados ou manifestaram apoio ao próximo presidente da República. São eles: Gladson Cameli (PP), no Acre; Wilson Lima (PSC), Amazonas; Coronel Marcos Rocha (PSL), em Rondônia; Antonio Denarium (PSL), em Roraima; e Waldez Góes (PDT), no Amapá. No caso de Góes, eleito para o terceiro mandato no Amapá, o apoio a Bolsonaro se deu mesmo após o seu partido, o PDT, formalizar apoio crítico a Haddad no 2º turno.

Jair Bolsonaro liderou a disputa eleitoral a partir de agosto, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril por corrupção, foi declarado inelegível.


Mudança de rumo
O atentado que Bolsonaro sofreu em 6 de setembro, de fato, mudou o rumo da sua campanha eleitoral. Ao mesmo tempo em que Bolsonaro era levado às pressas para a Santa Casa da cidade para uma cirurgia de emergência, outros candidatos ao Planalto tiveram que rever suas estratégias. Eventos foram suspensos nos primeiros dias, e os ataques à candidatura do líder das pesquisas foram interrompidos. Aconselhados por seus marqueteiros, os demais candidatos não queriam aparecer atacando um concorrente que lutava por sua própria vida.

Especialistas na área de marketing afirmam, não é possível dizer que o episódio tenha sido decisivo, mas eles concordam que a repercussão ajudou a candidatura de Bolsonaro. Nessa hora, quem mais contribuiu foram os opositores. Esses eleitores esqueceram que, quanto mais mencionavam Bolsonaro, mais volume de informação era gerado para movimentar os motores de busca na internet.

Àquela altura, o candidato à Presidência liderava as pesquisas de intenção de voto, mas enfrentava alta rejeição e era atacado pelos oponentes. Após a facada, além do aumento da exposição nos meios de comunicação, o episódio fez com que ele se tornasse vítima e reconstruísse sua imagem pública.