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Turismo na Amazônia
OUTUBRO 2018
 
 
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 AMAZÔNIA
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O Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, é um símbolo da era de ouro da borracha e, atualmente, casa oficial da Orquestra Sinfônica do Estado do Amazonas

Considerada um dos maiores patrimônios naturais do Brasil, a Amazônia aglomera mais da metade das florestas tropicais do Planeta. Ter a oportunidade de conhecer Manaus, capital do estado do Amazonas, é a chance de contemplar de perto os encantos e espetáculos da sua rica biodiversidade.

A Amazônia, contemplando 8 países Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela; foi eleita, em 2011, pela Fundação New7Wonders e acordo com as recomendações do Panel of Experts da UNESCO, uma das Sete Novas Maravilhas da Natureza.

A Floresta Amazônica foi, por muito tempo, um destino que atraia, em sua maioria, olhares internacionais. Com exceção de alguns poucos aventureiros, os turistas brasileiros nem cogitavam a ideia de passar alguns dias em meio à mata. A falta de estrutura dos hotéis e dos meios de transporte somada as passagens aéreas a preços exorbitantes espantavam os viajantes.

Nos dias de hoje, está cada vez mais fácil e cômodo fazer turismo na Amazônia. A cada ano que passa, a estrutura de hotelaria na região e também a qualidade dos serviços, fica cada vez melhor. De forma comum, quem vai a Amazônia para praticar turismo, provavelmente se hospedará em um dos hotéis de selva que tem na região. Mas é importante saber que existe a possibilidade de ficar hospedado em um barco que faz a navegação pelo famoso Rio Negro.

Os nativos e roteiros de turismo na Amazônia, basicamente, há duas formas de se conhecer a floresta. As expedições fluviais em um dos cruzeiros que vão navegando pelo Rio Negro são uma opção. Outra boa estrutura para passeios e mais contato natural se encontra nos hotéis de selva.


Amazônia Legal
Na palavra do Ministério do Turismo e Governo Federal, sendo composta por nove estados que comungam objetivos econômicos, políticos e sociais “a Amazônia Legal ocupa 61% do território nacional, é toda área do território brasileiro que abrange o bioma Amazônia, além de conter 20% do bioma Cerrado e parte do Pantanal”. Essa campanha nasceu da necessidade do governo de planejar e promover o desenvolvimento da região, inclusive no que diz respeito ao progresso do turismo.

Dentre os estados que fazem parte da Amazônia Legal, o Amazonas, de acordo com o Ministério do Turismo, “com uma área territorial de 1.559.161,682 quilômetros quadrados, é banhado pela bacia hidrográfica amazônica, responde por aproximadamente 20% da água doce do planeta e se tornou recordista da maior cobertura vegetal tropical do planeta.

É exuberante em questões como manifestações de vida, desde a microscópica até a gigantesca, e vem ao longo dos anos revelando cada vez mais seu potencial para geração de riquezas por conta de suas diversidades naturais, e pelo contato direto que proporciona com a natureza, o atrativo que se destaca nos roteiros do Amazonas é o ecoturismo”. (Ministério do Turismo, Brasil, 2017)

O turismo ecológico é determinante para o desenvolvimento dos municípios do Amazonas. Em exemplo, tem-se a cidade de Manaus que oferece aos turistas traslados a barco em estreitos igarapés ou até grandes rios. Além disso, o contato com tribos indígenas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, por exemplo, onde existem seis comunidades que vivem em um santuário natural preservado e que abrem as portas para o visitante conhecer as belezas e cultura locais.


Por que Amazonas é o principal destino turístico da Amazônia?
Em conformidade com a história, no dia 3 de março de 1775, criou-se a Capitania de São José do Rio Negro com a finalidade de atender as dificuldades e garantir a dominação da coroa portuguesa na região hoje denominada Amazonas. O Forte São José da Barra (1669) foi quem centralizou o arraial que deu origem a Manaus.

Estabelecida na margem esquerda do rio Negro, a origem do nome da cidade provém da tribo dos manaós que são antigos habitantes da região dos rios Negro e Solimões. Na língua indígena, Manaus significa Mãe dos Deuses.

Por seu valor paisagístico, o Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - considera o Rio Negro um patrimônio nacional. Em destaque está o volume e a vazão dos dois rios - Negro e Solimões - no momento em que se encontram. Sua força e grandeza expressivas dão a este momento o título de maior encontro de águas do mundo, já que são mais de dez quilômetros do ponto de encontro até a diluição total das águas. Os primeiros 3 quilômetros são marcados por uma linha quase rígida onde, à margem direita estão as águas claras e barrentas do Solimões e à esquerda, as escuras e transparentes do Rio Negro.

Ademais, nos municípios de Presidente Figueiredo e Anavilhanas há mais de cem cachoeiras, corredeiras e grutas que dão possibilidade de se praticar diversos esportes. Em Presidente Figueiredo, pode-se realizar um passeio de barco onde é possível ver de perto santuários de papagaios, vilas ribeirinhas e redutos de macacos guaribas, durante o trajeto. Este mesmo percurso leva até o Parque Nacional de Anavilhanas um arquipélago com cerca de quatrocentas ilhas naturais.

O Ministério da Cultura afirma que “o Amazonas conta com vida cultural intensa e características muito especiais, que se expressam na alegria do povo e nas raízes do folclore regional”. (Ministério do Turismo, Brasil, 2017)

Um outro destaque é a segunda cidade mais populosa do Amazonas, Parintins. No mês de junho sempre realiza os festejos do “Festival Folclórico em Parintins”, um dos maiores eventos de cultura popular do Brasil, com duração de 3 dias e atrai turistas do país e mundo inteiro.

Sem, no entanto, perder sua essência e o dinamismo, os eventos ligados à tradição e cultura - amazonenses - vem se renovando e se adaptando aos novos tempos de globalização. A exemplo, pode-se citar um dos maiores eventos da cultura popular do Brasil, que retrata a disputa entre os bois-bumbás Garantido (vermelho) e Caprichoso (azul).

De acordo com Virgínia Barbosa, Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco, “os bois-bumbás de Parintins têm sua origem no Nordeste do Brasil. A região amazônica recebeu muitos imigrantes nordestinos. Com eles vieram suas manifestações culturais que foram incorporadas e adaptadas pela população nortista, inclusive com lendas, rituais, música e dança indígenas, além de figuras mitológicas como pajés e feiticeiros”. (BARBOSA, 2009)

Além do mais, um dos atrativos naturais mais conhecidos no Amazonas é a praia fluvial de Ponta Negra, às margens do rio Negro e que fica a treze km do centro de Manaus. Além de aproveitar os diversos bares e restaurantes, a praia oferece um calçadão que possibilita a prática da caminhada, corrida e esportes.

Durante a fase áurea da borracha, entre 1879 e 1912, a cidade passou por um grande desenvolvimento econômico, social e cultural que até hoje pode ser observado.


Teatro Amazonas
Edificado com estilo eclético e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, é um símbolo da era de ouro da borracha e, atualmente, casa oficial da Orquestra Sinfônica do Estado do Amazonas.

Mercado Municipal Adolpho Lisboa
Também construído no período áureo da borracha, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, é um dos exemplares de arquitetura de ferro sem similar em todo o mundo e foi tombado, em 1º de julho de 1987 pelo Iphan. Hoje, é um dos mais importantes centros de comercialização das diversidades regionais do Amazonas.

Dentre outros monumentos que restauram o período de ascensão da borracha no Amazonas, destaca-se o Centro Cultural Palácio Rio Negro, um dos mais célebres exemplares da arquitetura da Belle Époque amazonense, sede atual do governo e antiga residência de um dos barões da cultura borracheira. Ademais, o Centro Cultural dos Povos da Amazônia oferece ao público uma das coleções mais importantes etnográficas do Brasil. O local tem como proposta o relacionamento do homem amazônico com o meio ambiente o que influencia, propaga e diversifica a cultura nativa.

Além do que foi mencionado, tem-se o Museu da Amazônia. Criado em janeiro de 2009, o Musa é um museu vivo localizado na Reserva Florestal Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, em Manaus. A Reserva Florestal Adolpho Ducke é uma das poucas florestas primárias em área urbana do mundo. O MUSA, como também é conhecido, oferece passeio guiado em mais de 3 quilômetros de trilhas em meio árvores centenárias, atividades de contemplação da natureza e uma torre de observação.


Danos do turismo na Amazônia
É possível identificar que, após passar a ser intensamente buscada pelo turismo, tal qual a Amazônia, há uma demanda do aumento de instalações e infraestrutura. Dentre as melhorias a serem realizadas pode-se citar, restaurantes, hospedagens, estacionamentos, e até estrutura tecnológica.

Todavia, a construção dessa infraestrutura na Amazônia vem, inclusive, contribuindo para os danos causados ao ambiente uma vez que, de alguma forma, descaracterizam a região. Os principais impactos já começam pela introdução dessa infraestrutura que mesmo feita com muito planejamento irá alterar o espaço natural e consequentemente de convívio animal.

Vale destacar que construções edificadas em áreas que não são urbanizadas, além de outras estruturas, representam um grande risco de desestabilização dos ecossistemas. Apesar da importância do crescimento para o turismo e outras áreas, esses empreendimentos quase sempre causam danos irreparáveis à natureza.

Dentre os principais problemas gerados a partir do ‘turismo ilegal’ ou ‘predatório’ estão: aumento da geração de resíduos sólidos devido ao aumento de pessoas circulando na região; Considerável aumento da demanda de energia elétrica; Maior tráfego de veículos o que causa uma boa redução da qualidade do ar; Alterações no estilo de vida das populações nativas. Além dessas consequências, há também o aumento sazonal de população (os veranistas), o que implica sobre as áreas afetadas, sua infraestrutura e também na população nativa.

Por fim, o turismo na Amazônia surpreende os viajantes que desembarcam em suas terras distantes e muito ricas do Norte do Brasil.