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Incêndio destrói o Museu Nacional do Rio de Janeiro
SETEMBRO 2018
 
 
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 FOGO CONSOME PATRIMÔNIO HISTÓRICO
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Fogo consome 200 anos de história. Foto: Tânia Regina/Agência Brasil/RJ

Um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro na noite de domingo, dia 2 de setembro. O fogo começou por volta das 19h30 do domingo e só foi controlado no fim da madrugada da segunda-feira, dia 3.

A instituição cultural brasileira foi criada em 1818 pelo imperador D. João VI com o nome de Museu Real. Inicialmente sediado no Campo de Sant'Ana e transferido para a Quinta da Boa Vista, em 1892.

Vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desde 1946, era a mais antiga instituição científica do Brasil e, até meados de 2018, foi considerado um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas.

FOTO de obras em chamas na fachada do Museu. Crédito da Foto: Carl de Souza/Agence France Press

FOTO dos bombeiros tentando conter as chamas. Crédito da Foto: Tânia Rego/Agência Brasil


História
O palácio serviu de residência para a Família Real portuguesa de 1808 a 1821, abrigou a família imperial brasileira de 1822 a 1889 e sediou a primeira Assembleia Constituinte Republicana de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso do museu, em 1892. O edifício era tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Acervo
O Museu Nacional abrigava um vasto acervo com mais de 20 milhões de itens, englobando alguns dos mais relevantes registros da memória brasileira no campo das ciências naturais e antropológicas, bem como amplos e diversificados conjuntos de itens provenientes de diversas regiões do planeta, ou produzidos por povos e civilizações antigas. Formado ao longo de mais de dois séculos por meio de coletas, escavações, permutas, aquisições e doações, o acervo era subdividido em coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia, antropologia biológica, arqueologia e etnologia. Possuía uma das maiores bibliotecas especializadas em ciências naturais do Brasil, com mais de 470.000 volumes e 2.400 obras raras.

Em uma área destinada à cultura do Pacífico, o Museu também tinha artefatos da Polinésia, Nova Zelândia e Nova Guiné. Da cultura indígena, a estimativa era de que o museu abrigava mais de 30 mil objetos.

No campo do ensino, o museu oferecia cursos de extensão, especialização e pós-graduação em diversas áreas, além de realizar exposições temporárias, fóruns e atividades educacionais voltadas ao público em geral. Em decorrência das comemorações do dia 7 de setembro estava previsto, na programação do museu desta semana, um debate sobre a independência do país.

Segundo consta no site da Sociedade Brasileira de Geologia – SBG (http://www.sbgeo.org.br/), o Museu Nacional do Rio abrigaria, no período de 08 a 10 de outubro de 2018, o IV Simpósio Brasileiro de Paleoinvertebrados. IV Simpósio Brasileiro de Paleoinvertebrados 2018


Tesouros perdidos
Entre os principais tesouros perdidos no incêndio, estão:
Luzia
O fóssil humano mais antigo já encontrado no país, batizada de "Luzia", que faz parte da coleção de Antropologia Biológica e ficava na sala da arqueologia brasileira. O crânio era de uma mulher que há 11 mil anos habitou a região onde hoje fica o país. Ao lado da peça, havia também a reconstrução tridimensional da face de Luzia.
Clique aqui para ver a foto da reconstrução da cabeça de Luzia. Foto: Antonio ScorzaA/Agence France Press, de 20 de setembro de 1999

Meteorito Bendegó
Foi descoberto em 1784, no sertão da Bahia, e foi para o Museu Nacional depois de 100 anos. Era o maior meteorito encontrado no Brasil até o momento, com 5,36 toneladas.

Trono de Daomé
É o trono do rei africano Adandozan (1718-1818), doado pelos embaixadores do monarca ao príncipe Dom João VI, em 1811.

Caixão de Sha-Amun-en-su
O acervo egípcio do museu era considerado o mais antigo e importante da América Latina. O caixão de Sha-Amun-en-su foi um presente do príncipe do Egito à Dom Pedro II, em uma visita ao país, em 1876. A múmia ficava exposta dentro do gabinete do imperador brasileiro.

Maxakalisaurus topai
Encontrado na região do Prata, em Minas Gerais, o fóssil foi apelidado de “Dino Prata”.

Máscara indígena do povo Ticuna
Na sala de Etimologia indígena eram desvendadas partes das raízes culturais do Brasil. Um dos destaques era a máscara indígena, que compunha rituais das tribos.

Sala do Trono
Sala onde aconteciam as audiências reais e sala particular de Dom Pedro II e Thereza Christina, na época.


Problemas financeiros
Com seguidos cortes no orçamento, desde 2014, o museu não vinha recebendo a verba de 520 mil reais anuais necessários à sua manutenção e apresentava sinais de má conservação, como paredes descascadas, fios elétricos expostos e passava por uma situação de abandono.

Repercussão no país e no mundo:
O incêndio foi notícia nos principais veículos de comunicação do Brasil e do mundo. Entre os veículos de comunicação do exterior se destacam, o jornal argentino Clarín, o El País do Uruguai, o jornal Chileno El Mercurio, o peruano El Comercio, o português Público, a Britânica BBC , além do The Guardian, Washington Post e o New York Time.

A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Kátia Bogéa, afirmou que "É uma tragédia nacional e mundial. Todo mundo está vendo que é uma perda não só para o povo brasileiro mas para toda a humanidade (...). Afirmou ter sido uma tragédia anunciada.

O presidente da República, Michel Temer, disse que é "incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros".


Fontes
Agência Brasil EBC.
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
MEC Ministério da Educação e Cultura.