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Fidel Castro morre aos 90 anos
NOVEMBRO 2016
 
 
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 LÍDER REVOLUCIONÁRIO
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FOTO: Michel Gangne /AFP Photo
Fidel Alejandro Castro Ruz, Fidel Castro, nasceu no dia 13 de agosto de 1926, no povoado cubano de Birán (província de Holguin). Seu pai, Ángel Castro Argiz, era um agricultor neste povoado.

Castro foi presidente de Cuba desde a Revolução Cubana (1958-1959), que derrubou o governo pró-americano do general Fulgêncio Batista, até fevereiro de 2008.

Contra o regime de Batista, assaltou em 1953 o quartel Moncada. Foi capturado, preso e anistiado em 1955. Fundou no México o Movimento 26 de Julho e em 2 de dezembro de 1956 desembarcou do iate Granma na província do Oriente. O Movimento instalou-se na Serra Maestra e iniciou uma guerra de guerrilhas. Em dezembro de 1958, ocuparam Santiago e outras províncias e Batista fugiu do país (1959). Na primeira declaração de Havana (1960), proclamou a independência e a soberania de Cuba, relacionou-se com os países socialistas e revogou o pacto militar com os EUA (Declarações de Havana). A administração Kennedy apoiou a invasão por um grupo de exilados cubanos que fracassou (desembarque na baía dos Porcos em 1961) e iniciou um boicote que aproximou Castro dos países socialistas. Em 1961 formou-se o Partido Unido da Revolução Socialista de Cuba. Na segunda declaração de Havana (1962), reafirmou a independência, mas a frota estadunidense bloqueou a ilha (1962). Em 1962, a União Soviética instalou mísseis nucleares em Cuba e o mundo esteve perto de uma guerra total, evitada depois que os soviéticos aceitaram retirar suas armas, em troca da promessa americana de não tentar uma nova invasão.

Fidel, contudo, ajudou os movimentos revolucionários da América Latina e os governos marxistas de Angola e da Etiópia, na África, continente ao qual Cuba chegou a enviar dezenas de milhares de soldados. Em 1965, o Partido adotou o nome do Partido Comunista com Castro como primeiro secretário e primeiro-ministro (1959). O bloqueio econômico dos EUA agravou-se e Castro confirmou a sua orientação para o bloco comunista. O I Congresso do Partido Comunista (1975) confirmou-o como secretário-geral e encerrou a etapa 1965-1975, uma vez que, após a nova ordenação constitucional (1976), se tornou o primeiro secretário do Partido, primeiro-ministro e presidente de Cuba. Em 1986 o III Congresso do Partido Comunista voltou a elegê-lo e adotou uma política exterior mais pragmática, acentuando a pressão contra a dissidência interna e iniciando uma política econômica restritiva. Em 1992, aprovou uma reforma constitucional mais aberta com reformas políticas e econômicas, mas sem renunciar ao comunismo.

A mudança de século pressupôs novas restrições a nível econômico e político. Em agosto de 2006, teve que delegar os seus cargos como dirigente do Estado e do Partido Comunista ao seu irmão, Raúl Castro, devido ao seu delicado estado de saúde.


Renúncia
Em fevereiro de 2008, Castro anunciou sua renúncia à reeleição no parlamento à presidência de Cuba e a todos os cargos que ocupava no governo, depois de permanecer cerca de meio século à frente do país. Seu irmão Raúl, que ocupava o cargo interinamente, foi eleito novo presidente de Cuba.

A decisão da renúncia foi anunciada em sua coluna “Reflexões do Comandante Fidel”, publicada na versão digital do Granma, jornal oficial do Comitê Central do Partido Comunista Cubano. Em seu texto, o ditador afirmou que, apesar de sempre ter desejado permanecer em suas atividades de liderança até o fim de sua vida, não poderia continuar a exercê-las por não ter mais condições físicas para tanto. Aos 81 anos, Fidel Castro não aparece em público desde que foi submetido a uma cirurgia intestinal em julho de 2006, quando deixou o irmão Raúl Castro provisoriamente em seu lugar.

Ao mesmo tempo, em abril de 2011, foi substituído por seu irmão no cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba.


Cuba sem Fidel Castro
No dia 24 de fevereiro, na reunião da Assembleia Nacional, foi decidido que Raúl Castro assumiria o posto de chefe do Conselho de Estado. Fidel Castro permanece apenas como membro do Parlamento. O líder cubano conseguiu, assim, estabelecer uma transição de poder ainda em vida, tranquilizando aqueles que se preocupavam com o abalo que Cuba sofreria com uma possível morte inesperada do presidente, que, desde 1976, era eleito e reeleito a cada cinco anos.

Grande parte da população cubana jamais conheceu outro presidente que não fosse Fidel Castro, o que causou um sentimento de estranheza à sua renúncia. Mesmo assim, sua influência ideológica promete marcar presença ainda por um bom tempo. Além de deixar o irmão em seu lugar, o líder prometeu continuar escrevendo seus artigos para o Granma, com a diferença que sua coluna passará a se chamar “Reflexões do Companheiro Fidel”.


Estados Unidos
Na ocasião, a notícia da renúncia de Fidel Castro, animou o governo norte-americano, que mantinha uma difícil relação com Cuba desde 1959, quando o líder cubano derrubou o ditador Fulgêncio Batista (1901-1973), que tinha o apoio dos Estados Unidos, transformando o país em um Estado Socialista em 1961 e associando-se à então União Soviética. O presidente dos EUA, George W. Bush, de 62 anos, afirmou que esperava que o momento representasse o início da implantação de uma democracia em Cuba.

O período em que os conflitos entre os dois países ganharam mais destaque aconteceu durante o governo do presidente John Kennedy (1917-1963). Em 1961, houve a tentativa malsucedida de invasão a Cuba pela Baía dos Porcos, financiada pela inteligência americana (CIA, Central Intelligence Agency), que planejava derrubar o governo de Fidel Castro. No ano seguinte, com a Crise dos Mísseis, o país foi cenário de um dos momentos de maior tensão da chamada Guerra Fria (1945-1991), quando, em resposta à invasão de Cuba e à instalação de mísseis nucleares na Turquia pelos Estados Unidos, o primeiro ministro russo, Nikita Khrushchov (1894-1971), determinou a instalação de mísseis nucleares em território cubano.

Ao longo de sua permanência no poder, Fidel Castro foi um líder polêmico, criticado por seu governo autoritário, mas também elogiado pela manutenção de bons níveis de educação e saúde para a população cubana.


Morte de Fidel
Fidel Castro faleceu em 25 de novembro de 2016, na cidade de Havana, aos 90 anos de idade. O anúncio foi feito por seu irmão Raul Castro. O luto oficial, declarado pelo país, deverá durar 9 dias. Em 4 de dezembro as cinzas de Fidel serão enterradas em uma cerimônia que acontecerá no cemitério Santa Ifigenia, em Santiago de Cuba, às 7h, pela hora local.