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O que são os nootrópicos?
NOVEMBRO 2016
 
 
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 OS TIPOS DE DROGAS E SEUS EFEITOS
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Entre as pílulas que aumentam a capacidade cerebral que estão ganhando as manchetes, a principal delas é o Modafinil.

Nootrópico e o termo utilizado para descrever drogas (sintéticas ou naturais) capazes de aumentar a capacidade cerebral de um indivíduo. Suas utilizações médicas vão desde o combate à síndrome de déficit de atenção (TDAH) e à epilepsia até o tratamento de pessoas que sofrem de demência. Porém, em muitos casos, elas são utilizadas por pessoas completamente saudáveis que vão fazer provas ou prestar concursos, o que, para muitos, configura uma espécie de doping intelectual. Também há aqueles profissionais que usam Ritalina, Modafinil e outras drogas para aumentar sua capacidade de concentração e assim se tornarem mais eficientes em seus trabalhos.

Segundo um artigo publicano no Kennedy Institute of Ethics Journal, a utilização de medicamento como o Modafinil no ambiente de trabalho só pode ser considerado eticamente aceitável se sua utilização não colocar em risco o trabalho e a saúde de outra pessoa. Em 2014, servidores públicos do Departamento do Tesouro da Austrália admitiram ter usado a droga. A intenção deles era ter concentração suficiente para completar o orçamento do país no tempo previsto. Também há muitos cirurgiões que utilizam o modafinil e outras drogas para melhorar a concentração durante uma operação que pode durar horas.

Atualmente, há uma série de empresas que estão apostando nesse mercado. Entre elas estão as norte-americanas Nootro, Nootrobox e Onnit, está última responsável pela produção do suplemento Alpha Brain. No site da Nootro é possível ver uma frase de Corneliu Giurgea, um cientista romeno, considerado o pai desse movimento, que nos anos 1970 definiu que nootrópicos são todas as substâncias que, apesar de potencializar as capacidades cognitivas, não são tóxicas, viciantes ou provocam efeitos colaterais significativos.

Giurgea dizia que os seres humanos contemporâneos não iriam esperar passivamente, durante milhões de anos, para que a evolução produzisse um cérebro melhor em nossa espécie. Porém, apesar dos avanços da ciência nesse campo, ainda são muitos significativos os efeitos colaterais dessas novas drogas e pouco ou quase nada se sabe a respeito do que elas podem causar, no longo prazo, em pessoas saudáveis que decidam utilizá-las diariamente. Também não há ampla pesquisa científica comprovando que suplementos como o Alpha Brain sejam realmente capazes de aumentar nossa capacidade cerebral. Nesse texto trataremos de alguns dos principais medicamentos e técnicas conhecidas por turbinar a mente.


Modafinil
Entre as pílulas que aumentam a capacidade cerebral que estão ganhando as manchetes, a principal delas é o Modafinil, droga criada por cientistas franceses que estudavam narcolepsia desde os anos 1970. Na década de 1990, eles finalmente lançaram o Modafinil, uma droga capaz de combater a narcolepsia, distúrbio que causa sonolência excessiva. O Modafinil tinha como objetivo acordar pessoas que podiam, mesmo depois de uma noite tranquila de sono, dormir nas situações mais inusitadas, inclusive enquanto estavam dirigindo automóvel ou operando máquinas, o que obviamente produz um risco para o indivíduo e para a sociedade. Foi para combater esse mal que o Modafinil foi desenvolvido.

No entanto, pouco tempo após a criação dessa droga para combater a narcolepsia militares franceses e norte-americanos passaram se interessar pela capacidade do medicamento de manter uma pessoa acordada e atenta durante cerca de 60 horas.

Essas duas forças militares passaram a fazer testes com o Modafinil, algo muito semelhante ao que ocorre no filme O Legado Bourne, no qual um agente norte-americano toma uma droga que aumenta sua força e sua capacidade mental. Depois, em 2003, a Universidade de Cambridge testou o Modafinil em 60 voluntários saudáveis. Os resultados foram surpreendentes. Essas pessoas tiveram um aumento da capacidade de concentração e cognição, ou seja, os voluntários ficaram mais inteligentes, o que ficou provado com a aplicação de testes cognitivos.

Depois que alguns estudantes descobriram que o Modafinil era capaz também de aumentar a atenção, melhorar a concentração, ampliar a capacidade de raciocínio e permitir que uma pessoa estudasse durante várias horas seguidas. Muitos passaram a utilizar a droga em época de provas ou de entrega de trabalhos.

O problema é que ainda não se sabe ao certo qual são os efeitos colaterais resultantes da utilização do Modafinil durante muito tempo. Para muitos pesquisadores, essa droga pode causar danos cerebrais que só vão aparecer no futuro. Atualmente, o que já se sabe é que o Modafinil pode produzir uma doença de pele em crianças que tomam o remédio. Esse efeito colateral recebe o nome de Síndrome Stevens-Johnson, um mal que pode levar à morte. Ele também pode gerar problemas como anorexia, náusea, dores de cabeça, depressão, dores no peito e movimentos descontrolados na face, na boca e na língua.


Ritalina
Na segunda metade da década de 1950, uma outra droga, o metilfenidato, que ficaria mundialmente conhecido por seus nomes comerciais Ritalin ou Ritalina, já era utilizado para turbinar o cérebro. Também, o principal problema com essa droga é que ela apresenta efeitos colaterais graves. Entre eles estão: problemas cardíacos, taquicardia, alucinações, surtos psicóticos e vício. Sim, o consumo de Ritalina pode levar ao vício. Também é importante lembrar que a Ritalina é um medicamento tarja preta e, portanto, só deve ser utilizado por pessoas com reais problemas de saúde como TDAH (síndrome de déficit de atenção).

Sua utilização durante muitos anos ainda não é suficientemente estuda. Portanto, essa droga pode apresentar efeitos que ainda não conhecemos. O mesmo não se sabe do Modafinil. Em razão da falta de estudos nesse sentido. Como a droga só passou a ser consumida em larga escala em meados dos anos 2000, ainda é cedo para saber se ela pode gerar problemas de saúde no longo prazo.


Donepezil
Outra droga que já foi testada em pilotos de avião e ficou provado que melhora a memória é o Donepezil, um inibidor da colinesterase. Ele aumenta a quantidade de acetilcolina, a qual é uma substância que atua como neurotransmissor no organismo humano. Em razão disso, o donepezil aumenta nossas sinapses e melhora a função da memória. Sua utilização médica se dá em pacientes com demência. Entre seus efeitos colaterais estão diarreia, tonturas, desmaios, depressão e catarata.

Piracetam
Um dos primeiros nootrópicos a se ter notícia, o Piracetam foi sintetizado pela primeira vez em 1964 por um químico na Bélgica. O interesse inicial da pesquisa era descobrir quais eram as reais capacidade da droga em aumentar o funcionamento mental em indivíduos saudáveis. Seu princípio ativo é a Pirodina-acetanida. É frequentemente utilizado para o tratamento de pacientes com epilepsia ou vítimas de AVC. Entre seus efeitos colaterais estão ganho de peso, alucinações, diarreia, confusão, dores de cabeça e depressão.

Dimebolina
Antialérgico criado por cientistas russos, em 1983, a Dimebolina, também conhecida por Dimebon™, foi produzida primeiramente para combater a febre do feno, uma espécie de rinite alérgica. Em pouco tempo, no entanto, pesquisadores descobriram que esse anti-histamínico também melhorava a capacidade cognitiva de quem a utilizava. Seus efeitos colaterais são: boca seca, depressão e insônia.

Adderall
Remédio utilizado no tratamento de pessoas que sofrem de transtornos como hiperatividade e narcolepsia. Atualmente, no entanto, muitas pessoas tomam Adderall para melhorar seu desempenho cognitivo. O risco de consumir esse medicamento é alto. Entre seus efeitos colaterais estão coisas como convulsões, arritmia e ansiedade. No caso das crianças, o Adderrall XR pode diminuir o ritmo de crescimento.

Ginseng
O ginseng é um fitoterápico utilizado há milhares de anos na China. Ele ajuda a combater o desânimo e a dor. Como o ginseng melhora a circulação, isso faz com que o sangue chegue com maior facilidade e em maior quantidade ao cérebro. Daí o motivo desse fitoterápico se conhecido por ajudar a melhorar a concentração e a memória. Seu uso é proibido para pessoas que utilizam medicamentos antidepressivos, anticoagulantes e para ansiedade. O ginseng interage com esses medicamentos e pode causar vários problemas. O ginseng também pode alterar a pressão arterial e interferir na coagulação.

Ginkgo biloba
Atualmente, o ginkgo biloba é equivocadamente tido como uma espécie de medicamento “natural” para melhorar a cognição, ou seja, aumentar nossa capacidade cerebral. No Brasil, o ginkgo biloba, apesar de ser um fitoterápico, só pode ser vendido com receita médica. Quando consumido com anticoagulantes, o ginkgo biloba potencializa os efeitos e pode inclusive provocar hemorragias graves. Seus efeitos colaterais são enxaqueca, danos hepáticos, pedras na vesícula, sangramentos, convulsões, aumento da sensibilidade da pele e alergias. Em razão disso, muitas pessoas preferem o chá de ginkgo biloba, porém, os efeitos podem ser os mesmos. O chá do ginkgo não deve ser utilizado de forma contínua. Isso pode sobrecarregar rins e fígado. O extrato da planta tem ação antioxidante e aumenta a microcirculação sanguínea no cérebro, porém, segundo o médico geriatra Alberto de Macedo Soares, “o extrato de ginkgo biloba era indicado com a função de melhorar a memória. Infelizmente, está provado que não possui esse efeito, mas funciona para controlar o zumbido crônico no ouvido, em certos casos. Assim como a osteoartrose pode acometer algumas áreas do corpo, alterações podem ocorrer nos ossículos do ouvido médio e produzir um som bastante desagradável”.

Exercícios aeróbicos
Uma das melhores formas de melhorarmos o desempenho do nosso cérebro é a prática de exercícios aeróbicos. Eles aumentam a neurogênese, ou seja, o processo de formação de neurônios no cérebro de pessoas adultas. As atividades aeróbicas, além de melhorarem a qualidade do sono, combaterem ansiedade e estresse e diminuirem a gordura, ajudam a elevar a circulação sanguínea no cérebro e aumentam a comunicação entre os neurônios.

Até mesmo um exercício aeróbico leve é capaz de incrementar nossa capacidade mental. Segundo Arthur F. Kramer, professor de neurociência da Universidade do Illinois, “30 minutos de caminhada, três vezes por semana, já provoca impacto positivo”.

No entanto, o ideal para quem pretende praticar um exercício aeróbico é respeitar suas próprias limitações, o que evitar o risco de lesões, e sempre consultar um médico antes. Porém, é seguro afirmar que correr faz bem para o cérebro.


Meditação
Outra prática que ajuda a melhorar o desempenho do nosso cérebro e a meditação. Estudos feitos pela Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos, indicaram que meditar durante anos torna o cérebro mais espesso e fortalece conexões entre células cerebrais.

A meditação também combate o envelhecimento do cérebro. Isso significa que quem medita durante muitos anos não perde massa cinzenta como uma pessoa que não prática. Quanto menos massa cinzenta no cérebro maiores são as chances para o surgimento de doenças como o Alzheimer. Já as pessoas com mentes mais ativas, principalmente aquelas que meditam todos os dias, têm a capacidade cognitiva mais vigorosa. O melhor da prática da meditação é que não há nenhuma contraindicação.


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