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Jogos Olímpicos Rio 2016
AGOSTO 2016
 
 
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Jorge Alberto Gomes, atleta de 14 anos, foi o escolhido para acender, na praça da Candelária, no Centro do Rio, uma das duas piras olímpicas oficiais dos Jogos Olímpicos do Rio.

O Jogos Olímpicos disputados na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 5 e 21 de agosto de 2016 foram marcados pelo glorioso desempenho de dois mitos do esporte, o nadador norte-americano Michael Phelps e o corredor jamaicano Usain Bolt, e pelo surgimento da brilhante ginasta norte-americana Simone Biles.

Os Jogos do Rio de Janeiro também foram palco da superação de 27 recordes mundiais e 91 recordes olímpicos. No total, 11.544 atletas competiram na primeira edição dos Jogos Olímpicos da história da América do Sul. O desempenho de cada um desses esportistas foi acompanhado de perto pelos mais de 25 mil jornalistas de 105 países que participaram da cobertura do evento.


Cerimônia de Abertura
A festa de abertura dos Jogos Olímpicos foi muito elogiada pela imprensa nacional e internacional. O jornal norte-americano The Washington Post, por exemplo, deu destaque para “o estilo sambista da cerimônia” e afirmou que, apesar dos problemas ocorridos durante a preparação dos Jogos Olímpicos, na abertura, o “Rio de Janeiro expôs o que faz de melhor. Este é um país especialista em folia, que todos os anos enche suas ruas com uma alegria inebriada, dançarina de quem beija estranhos no Carnaval. A batida do samba, as plumas e lantejoulas, as modelos e atletas: os brasileiros se prepararam para a cerimônia de abertura durante anos”.

Já o New York Times publicou um artigo no qual afirmava que a cerimônia de abertura “disfarçou feridas brasileiras por algumas horas e deixou o país celebrar sua história". Para o britânico The Guardian, o Rio trouxe uma novidade ao falar de uma questão mais global. O jornal afirmou que “o tema de Pequim 2008 foi a China é grande, o de Londres 2012 foi a Grã-Bretanha foi grande. O tema de hoje? É melhor nós começarmos a fazer algo sobre o meio ambiente ou nós talvez não teremos muitas Olimpíadas para celebrar no futuro”.

A cerimônia foi dirigida pelo cineasta Fernando Meirelles, o qual apostou na celebração de valores como diversidade e proteção ambiental. Com participações emocionantes de músicos como Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Wilson das Neves, Elza Soares, Jorge Ben, Mc Soffia, Carol Conka e Zeca Pagodinho, a festa criada por Meirelles mostrou a história dos povos indígenas, da chegada dos europeus e dos escravos na formação do que hoje é o Brasil.

O cineasta celebrou ícones nacionais como Santos Dumont com seu 14 Bis; o poeta Carlos Drummond de Andrade, que teve o poema A Flor e Náusea recitado pelas atrizes Fernanda Montenegro e Judi Dench; e o maestro, compositor e cantor Tom Jobim com sua música Garota de Ipanema, a qual foi representada pela modelo Gisele Bündchen. Depois, a entrada das delegações de atletas foi recepcionada por modelos como a transexual Lea T, os quais pedalavam bicicletas que levavam placas com o nome da delegação do país que os seguia. Os atletas também receberam sementes de 207 espécies nativas do Brasil, as quais serão plantadas no Parque Radical, uma das áreas de competição, onde será criada a Floresta dos Atletas.

A emoção se tornou ainda maior quando Vanderlei Cordeiro de Lima, ao receber a tocha olímpica das mãos da jogadora de basquete Hortência, acendeu a pira olímpica no Maracanã. Ele, que foi impossibilitado de vencer a maratona das Olímpiadas de Atenas, em 2004, na Grécia, após ter sido agarrado pelo fanático religioso irlandês Cornelius Horan, tornou-se reconhecido mundialmente por seu espírito olímpico. O maratonista, mesmo após ter sido prejudicado, celebrou muito o bronze que conquistou na Grécia. Em razão disso, Vanderlei Cordeiro se tornou único latino-americano outorgado com a Medalha Pierre de Coubertin – honraria concedida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) a atletas e pessoas envolvidas com o esporte que incorporem e pratiquem o espírito olímpico.

Destoante de toda essa festa foi a figura do presidente interino Michel Temer. Mesmo com uma fala de apenas 10 segundos, quando o político declarou oficialmente aberto os Jogos Olímpicos no Rio, o que se ouviu foi uma sonora vaia.


Os Jogos
As competições no Rio foram dominadas pelos atletas da delegação dos Estados Unidos. Eles conquistaram 121 medalhas (46 de ouro, 37 de prata e 38 de bronze). A surpresa na classificação geral ficou por conta do Reino Unido, que acabou na segunda colocação, desbancando a China, terceira colocada. A Rússia, muito em razão da suspensão da sua equipe de atletismo dos Jogos do Rio em função do escândalo de doping em massa patrocinado pelo governo daquele país, ficou em quinto lugar.

O desempenho da delegação brasileira foi melhor que o dos Jogos Olímpicos de Londres (17 medalhas). O país ficou na 13ª colocação no quadro geral de medalhas. Os atletas brasileiros conquistaram 19 medalhas alcançando a melhor marca do país (7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze) na história das Olimpíadas. O grande destaque ficou para o baiano Isaquias Queiroz. Aos 22 anos, ele se tornou o primeiro atleta do Brasil a ganhar três medalhas na mesma Olimpíada ao conquistar prata na prova de 1.000 metros e bronze nos 200 metros da canoagem individual. Isaquias também levou a prata na prova dos 1.000 metros canoagem de duplas ao lado do canoísta Erlon Silva.

Outro nome que ganhou destaque foi o do jogador da seleção masculina de vôlei Serginho. Aos 40 anos, ele chegou à quarta final olímpica seguida e também à quarta medalha, tornando-se assim o maior medalhista do país em esportes coletivos. Outros destaques foram Thiago Braz, que conquistou o ouro no salto com vara; Robson Conceição, que venceu a final do boxe na categoria leve e também ficou com o ouro; a judoca Rafaela Silva, que conquistou o ouro na categoria peso leve; e a seleção de futebol masculino comandada por Neymar, que conquistou o ouro olímpico pela primeira vez na história do país do futebol.

Muitos dos atletas brasileiros que conquistaram medalhas fazem parte do Programa Atletas de Alto Rendimento. Criado em 2008, durante o governo Lula, esse programa é mantido pelo Ministério da Defesa, o qual acolhe atletas com base em seus desempenhos esportivos. Em razão disso, Exército, Marinha e Aeronáutica pagam salários, seguro médico e oferecem infraestrutura para os atletas treinarem. Nações como Rússia, China e Itália possuem programas parecidos. Os medalhistas brasileiros apoiados pelas forças militares bateram continência ao receberem as medalhas.


Atletismo
O destaque incontestável no atletismo nos Jogos Olímpicos do Rio foi o jamaicano Usain Bolt. Aos 29 anos (ele completou 30 anos um dia após a disputa da última prova no Rio), Bolt conquistou o ouro olímpico nos 100 metros rasos, nos 200 metros rasos e no revezamento 4x100. Os números do jamaicano são inegavelmente impressionantes. Ele disputou nove finais olímpicas e venceu todas.

Sua primeira disputa olímpica ocorreu nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, quando ele tinha apenas 17 anos. Bolt competiu nos 200 metros rasos e saiu na primeira rodada. Quatro anos mais tarde, nos Jogos de Pequim, ele venceria os 100 metros rasos, os 200 metros rasos e o revezamento 4x100. Nessa ocasião, ele também bateu os recordes mundiais nos 100 e nos 200 metros rasos. Depois, no Jogos de Londres, ele venceria as três provas novamente e sua equipe quebraria o recorde mundial do revezamento 4x100.

No Rio de Janeiro, Bolt voltou a ganhar as três provas tornando-se tricampeão olímpico. Agora, apenas ele, o norte-americano Carl Lewis e o finlandês Paavo Nurmi conquistaram nove medalhas de ouro na história do atletismo olímpico.


Natação
Outro fenômeno que encantou a torcida no Rio de Janeiro foi o nadador norte-americano Michael Phelps, o rei da água. Phelps participou da sua primeira Olimpíada em Sidney, na Austrália, em 2000, aos 15 anos de idade. Depois, em Atenas, com apenas 19 anos, Phelps ganhou seis medalhas de ouro. Porém, foi na China que ele começou a se transformar no mito incomparável das piscinas. Em agosto de 2008, no Cubo d’Água, centro aquático dos Jogos Olímpicos de Pequim, ele ganhou o ouro nas oito provas que disputou, sendo que em sete delas bateu recordes mundiais. Aos 23 anos, Phelps era o rei das piscinas. Quatro anos depois, nos Jogos Olímpicos de Londres, um Phelps desinteressado, mostrou para o mundo que ele era realmente de outro planeta. Mesmo sem estar competindo no máximo de sua capacidade, Phelps venceu quatro provas e conquistou quatro medalhas de ouro e duas de prata.

Nos Jogos Olímpicos do Rio, aos 31 anos, após passar por uma clínica de reabilitação no Arizona (EUA) para se livrar de problemas com álcool, o grande campeão voltou aos treinamentos com toda força. Os resultados dessa recuperação foram mais cinco medalhas de ouro e uma de prata. No total, Phelps conquistou 28 medalhas em sua carreira olímpica. No Rio, ele se tornou o maior atleta olímpico que já existiu, superando inclusive a marca de 12 medalhas de ouro do mitológico Leônidas de Rodes, um atleta que competiu entre 164 e 152 a.C.


Ginástica Olímpica
O grande nome da ginástica olímpica foi a norte-americana Simone Biles. Em sua primeira Olimpíada, a jovem atleta de 19 anos conquistou cinco medalhas: quatro de ouro e uma de bronze. Suas apresentações encantaram o público e os juízes. Em muitas delas, a norte-americana foi aplaudida de pé.

Após apresentações espetaculares, a jovem declarou ao Globo Esporte, “pulverizamos alguns recordes aqui e isso nos deixa muito animadas. Nunca imaginamos isso, mas é empolgante. Estamos no topo e foi para isso que treinamos para essa Olimpíada. Agora fico no Rio para me divertir um pouco até a cerimônia de encerramento. Quero ir ao Cristo Redentor, à praia e comer pizza de pepperoni (risos). Quero ser um pouco normal agora”.


Encerramento
Muita chuva e muita alegria foram os dois principais ingredientes da festa de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016. A cerimônia de encerramento organizada por Fernando Meirelles, Daniela Thomas, Andrucha Waddington e Deborah Colker apresentou sons do nordeste e acabou em um grande baile de carnaval comandado pelo bloco Cordão da Bola Preta, com direito a mestres-salas, porta-bandeiras e até carro alegórico no meio do Maracanã. O espetáculo teve apresentações de artistas como Martinho da Vila – que interpretou Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro –, Lenine, Barbatuques, Mariene de Castro, DJ Dolores, a Orquestra Santa Massa formada Maestro Spok, Marciel Salu, Isaar, Fábio Trummer, Jam da Silva e o sanfoneiro André Julião. Ritmos como frevo, forró, coco, sambas e marchinhas levantaram o público presente.

Apesar da chuva forte e dos inúmeros locais vazios – o estádio do Maracanã estava com cerca de 60 a 70% de sua lotação total –, a resposta do público e dos atletas foi muito positiva. Já no final da apresentação, o Japão apresentou um aperitivo do que teremos nos Jogos de Tóquio, em 2020. A pequena apresentação japonesa se encerrou com o primeiro-ministro Shinzō Abe saindo literalmente de uma fantasia de Super Mario, personagem de videogame ícone da empresa japonesa Nintendo. Por sua vez, o presidente interino do Brasil, Michel Temer, temendo ser alvo de novas vaias, não foi à cerimônia de encerramento. Segundo o jornal, O Estado de São Paulo, “a ausência de Temer causou constrangimento entre o governo e a comitiva japonesa, porque havia a expectativa de um encontro bilateral com o presidente”.

O encerramento com o apagar da tocha com água caindo do céu, enquanto a cantora Mariene de Castro interpretava a música "Pelo tempo que durar", de Marisa Monte e Adriana Calcanhotto, tirou o Rio do sonho olímpico e recolocou a cidade de volta aos problemas econômicos e de infraestrutura que tanto dificultam o dia a dia dos cariocas.

No dia seguinte, segunda-feira 22 de agosto, os aeroportos internacionais do Rio e de São Paulo receberam, respectivamente, 85 mil e 112 mil passageiros. Eram atletas e jornalistas que retornavam aos seus países após a festa de encerramento. Para enfrentar as filas, os estrangeiros foram orientados a chegar com seis horas de antecedência aos terminais.


A Cidade
O encerramento dos Jogos Olímpicos, ocorrido no Maracanã, na chuvosa noite de 21 de agosto, concluiu um ciclo de megaeventos organizados na capital carioca: os Jogos Pan-Americanos de 2007; a Jornada Mundial da Juventude com a vinda do papa Francisco, em 2013; e a final da Copa do Mundo, em 2014.

Essa série de eventos globais produziu uma exposição mundial do Rio de Janeiro. Em razão disso, muitas das antigas mazelas que afetam o cotidiano dos cariocas ganharam as manchetes da mídia internacional. Foram noticiados amplamente os constantes e assustadores casos de violência na cidade, além dos enormes problemas na área de saúde e de saneamento básico.

Muitos atletas estrangeiros se mostraram preocupados com questões como a dos vírus da zika e da dengue. Também foram amplamente divulgadas as promessas publicadas no dossiê de candidatura da cidade que não foram cumpridas pelos governos federal, estadual e a prefeitura do Rio de Janeiro. A despoluição da lagoa Rodrigo de Freitas, por exemplo, não foi feita. Na verdade, os avanços no tratamento do esgoto lançado na Baía da Guanabara prometidos durante a campanha ficaram abaixo da metade do que o dossiê afirmava – o objetivo de tratar 80% do esgoto lançado nas águas da baía ficou muito distante da meta. Também a lagoa de Jacarepaguá, ao lado do Parque Olímpico, continuou uma área assoreada e de cheiro fétido.

Outro obra para Olímpiada que chamou a atenção da mídia internacional foi a ciclovia Tim Maia – via que liga o Leblon a São Conrado, beirando o mar. Aberta em 17 de janeiro de 2016, a obra, durante um dia de ressaca em abril, acabaria desabando e matando duas pessoas: Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 anos; e Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos.

A tragédia acabou apontando para uma obra feita por uma empresa (Consórcio Contemat-Concrejato) que pertencia ao avô do Secretário Municipal de Turismo, Antônio Pedro Viegas Figueira de Mello. Em junho, dois meses depois da tragédia, o juiz Marcelo Oliveira da Silva, da 32ª vara Criminal da Capital, aceitaria a denúncia do Ministério Público contra 14 pessoas acusadas de contribuírem de alguma forma para a queda de um trecho da ciclovia Tim Maia. Os acusados vão responder por homicídio culposo (sem intenção de matar).

Quando os jogos começaram, a questão da violência constante no Rio foi parcialmente controlada pela polícia carioca e um reforço de 22 mil militares das Forças Armadas.

Nos primeiros dias que antecederam a abertura dos Jogos, algumas delegações, entre elas a da Austrália, reclamaram de problemas na Vila Olímpica, local construído para receber os atletas. Uma força-tarefa de cerca de 600 encanadores, pedreiros e eletricistas foi chamada pelo comitê Rio 2016 para resolver os problemas. Mesmo assim, delegações como a da Itália contrataram pedreiros, encanadores e eletricistas por conta própria para resolver problemas nos edifícios nos quais estavam suas delegações.

Apesar dos inúmeros problemas, tanto os turistas (cerca de 1 milhão segundo a Riotur, 650 mil brasileiros e os outros 350 mil estrangeiros) quanto os atletas aprovaram o Rio como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

De acordo com o site do jornal espanhol El País, uma pesquisa feita pelo Ministério do Turismo do Brasil entrevistou 1.262 estrangeiros e 4.150 turistas brasileiros durante os jogos. Desse total, “98,6% destacaram a hospitalidade do carioca. Além disso, 83,1% dos estrangeiros disseram que os Jogos atenderam ou superaram as expectativas e 87,7% pretendem retornar ao Brasil. Uma porcentagem similar também aprovou a organização geral do evento”. Nesse sentido, não é exagero afirmar que os Jogos Olímpicos foram um sucesso apesar dos problemas que continuam existindo na cidade.


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