ENTENDER O MUNDO/ATUALIDADES
O autoconhecimento é a maior arma
SETEMBRO 2015
 
 
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 COMO ESTUDAR?
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Quando se deseja prestar vestibular para ingressar numa boa universidade ou se inscrever num concurso para conseguir um emprego público, é preciso, antes, ser aprovado no processo seletivo, que, não raro, é muito concorrido, o que faz com que esses processos sejam cada vez mais difíceis. Para aqueles que estão dispostos a aceitar o desafio, são necessários muito estudo, disciplina e dedicação. E é nesse momento que muitas vezes se percebe que não basta querer estudar, é preciso saber como.

Entre os jovens, é comum que não se sintam estimulados pelos estudos. Submetidos a disciplinas que muitas vezes não conseguem relacionar à sua própria vida e numa fase cheia de descobertas, é muito comum que sentar e estudar não seja algo lá tão atraente. Na hora do vestibular, no entanto, o incentivo de conquistar a carreira dos sonhos acaba sendo um grande fator de motivação.


Os elementos fundamentais
Para ter bons resultados com os estudos, existem quatro elementos fundamentais. São eles: a motivação, a concentração, a leitura efetiva e a memória. Ou seja, é importante desejar estudar, estar centrado nos estudos, ter uma boa interpretação de texto e recordar os conteúdos estudados, conseguindo fazer relações entre eles — quando estas relações são feitas, sabemos que transformamos as informações em conhecimento. Para tanto, é necessário ter ainda estratégia e método de estudo, o que significa que é importante traçar metas, prazos, determinar onde o estudo será feito e, além disso, determinar como o estudo será feito.

E é aí que, muitas vezes, por maior que seja o desejo e a disposição, não se sabe por onde começar nem como sustentar essa decisão. Por isso a necessidade de encontrar um método de estudo que funcione pra você e que permita estabelecer metas e rotinas a serem seguidas. Sem boas diretrizes, a pessoa corre o risco de desperdiçar tempo e energia de uma forma que não seja eficaz.


Sala de aula
É possível e é importante estudar sozinho. Porém, saber aproveitar as aulas é um fator bastante relevante para o sucesso de seus estudos. Fazer anotações durante a exposição do professor ajuda bastante na absorção do conteúdo e no relacionar das informações escutadas com aquelas que já se tem em mente.

Outros aspectos positivos das aulas presenciais são: perceber quais são os pontos que o professor mais valoriza, o que dá uma pista sobre o que focar mais na hora de estudar; poder tirar dúvidas com os professores e com os colegas; bem como compartilhar dúvidas, conhecimentos, experiências e sentimentos relacionados aos processos seletivos de que se está participando.

Entretanto, o desenvolvimento da tecnologia e a grande quantidade de informações disponíveis hoje em dia também podem ser usadas de forma proveitosa pelos estudantes, tanto dentro quanto fora da sala de aula. Se conseguirem se livrar das distrações, como o exagero da permanência nas redes sociais, por exemplo, é possível fazer pesquisas detalhadas na internet, buscar videoaulas e tirar dúvidas com outras pessoas em rede.


Grifar, resumir e reler
Foi tentando identificar quais métodos de estudo funcionavam para a maior parte das pessoas que a revista científica estadunidense Psychological Science in the Public Interest (Ciência Psicológica no Interesse Público) publicou, em janeiro de 2013, um artigo que avaliava a eficiência de alguns métodos de estudo, revelando que nem sempre as práticas mais comuns são as mais eficientes.

Grifar o texto é uma das técnicas mais simples e populares na hora de estudar. Porém, esta atividade não requer muito esforço mental e, por isso, acaba sendo pouco eficiente, a não ser que seja associada com outras técnicas. Afinal, quando se está grifando, não se está conectando informações. Já fazer resumos é considerado uma forma melhor de estudar do que grifar, porém ainda é avaliada como de baixa utilidade, sendo mais eficaz quando o propósito são provas escritas, mas não quando estas provas são objetivas.

Uma das dificuldades tanto do resumo quanto do grifo é que o estudante entenda o que é essencial no texto. Sem uma boa interpretação, não é possível grifar e resumir adequadamente e corre-se o risco de apenas reescrever o texto ou grifar trechos demais. Nesse sentido, buscar desenvolver a compreensão e o poder de síntese podem ser atividades úteis.

Simplesmente reler o texto, por sua vez, também não é tão útil assim. Segundo o estudo estadunidense, o melhor método de releitura é o massive rereading (releitura massiva), que consiste em reler o mesmo conteúdo diversas vezes, logo após o fim da primeira leitura.


Mnemônicos e visualização
Outra técnica considerada de baixa utilidade, mas muito utilizada quando há necessidade de decorar um conteúdo são os mnemônicos, casos em que se associa uma palavra, frase ou imagem a um conteúdo para não esquecê-lo. Na hora de estudar química, por exemplo, existem frases que são ensinadas aos estudantes para que eles não esqueçam quais são os elementos da tabela periódica. É o caso da frase “rcules nenhum arrancou kriptonita do xerife de Rondônia”, que serve para memorizar os gases nobres — hélio (He), neônio (Ne), argônio (Ar), criptônio (Kr), xenônio (Xe) e radônio (Rn).

Não é verdade que esta técnica não tem utilidade, mas ela pode ser utilizada apenas em casos mais específicos, como o mencionado, e também é um bom recurso para ativar a memória antes das provas. Os mnemônicos, no entanto, não são úteis para estudar assuntos mais abstratos ou que exijam compreensão de texto, por exemplo. Mas, mesmo nestes casos, a atenção a palavras-chave, títulos, subtítulos e índices pode ser um bom recurso para ajudar organizar mentalmente os conteúdos estudados.

E é aí que entra a visualização, que consiste em formar imagens e mapas mentais enquanto se lê um texto para mais tarde utilizá-los como recurso de resgate do conteúdo estudado. Esta também é considerada uma técnica de baixa utilidade, uma vez que só funciona para textos mais curtos e para tópicos que não exijam interpretação de texto.


Técnicas de utilidade moderada
Segundo o estudo da Psychological Science in the Public Interest, entre as técnicas de utilidade moderada, está a interrogação elaborativa, que, em vez de se concentrar em decorar pontos, ajuda a compreender, de fato, o conteúdo. É com esta técnica que se tenta encontrar os porquês de cada afirmação. Por exemplo, em vez de simplesmente guardar a informação de que os Estados Unidos jogaram bombas atômicas no Japão em 6 e 9 de agosto de 1945, procura-se responder à pergunta “Por que os Estados Unidos jogaram bombas atômicas no Japão em 1945?”. A busca pela resposta tornará necessária uma maior compreensão do contexto deste acontecimento histórico, gerando um conhecimento mais sólido e acrescentando mais informações ao saber que já se possuía. Tentar responder a esse tipo de pergunta requer um maior esforço do cérebro, que, consequentemente, adquire um maior conhecimento sobre o conteúdo.

Outras técnicas de utilidade moderada são a autoexplicação e o estudo intercalado. A primeira consiste em explicar o conteúdo para si mesmo com suas próprias palavras, o que funciona melhor para temas mais abstratos e se é feito durante o estudo e não só no final. A segunda técnica é intercalar conteúdos em vez de tentar esgotar cada tópico de uma só vez; desta forma, seria possível manter-se estudando por mais tempo, causando menos desgaste no aprendiz. Esta técnica é mais eficiente para o estudo de Ciências Exatas, por exemplo, no qual é necessário resolver exercícios e utilizar o raciocínio.


As técnicas mais eficientes
As técnicas consideradas como as mais eficientes são o teste prático e a prática distribuída. No caso dos testes práticos, o melhor conselho para vestibulandos e concurseiros é buscar resolver as questões de provas anteriores e participar de simulados. Além de fazer um treinamento para a prova específica para qual está se preparando, o candidato tem a possibilidade de repetir as questões que errou e buscar preencher eventuais lacunas no aprendizado.

Já a prática distribuída consiste em criar um cronograma e distribuir os estudos ao longo do tempo, não os concentrando num período só, ou seja, não deixar pra estudar tudo na véspera da prova, o que é muito comum entre os estudantes. Isso vale tanto em relação ao período anterior à prova quanto ao longo do dia, estudando, por exemplo, um pouco de manhã, um pouco à tarde e um pouco à noite.


Outras técnicas
Além das técnicas avaliadas, existem ainda outras formas de estudar, como ler em voz alta, pedir pra alguém tomar a lição, gravar um áudio ou vídeo das aulas para ouvir ou ver depois e estudar em grupo, o que, para alguns, é a melhor solução.

O estudo em grupo, entretanto, apesar de trazer a vantagem do debate e do suporte mútuo depende de alguns cuidados, como não ter um número de membros muito grande, traçar objetivos claros, fazer intervalos e não permitir que a reunião acabe em brincadeira e bate papo.


Plema
No entanto, por mais que existam técnicas mais eficientes que outras, não é possível pular fases do estudo. Não dá pra ir direto para os testes práticos sem ter passado por uma boa leitura do texto, por exemplo. Plema é um mneumônico que representa um roteiro de leitura que pode funcionar bem para muitas pessoas e passa pelas técnicas mencionadas anteriormente. Trata-se de pré-leitura, leitura, esquematização, memorização e autoavaliação.

A pré-leitura é rápida, sem muita profundidade, apenas para entrar em contato com o texto e seu conteúdo. Nesta parte da leitura, o foco serão os primeiros parágrafos, sumários, conclusões, introduções, títulos e subtítulos. Enfim, nesta fase, o foco serão os pontos-chave do texto, mas sem se ater muito a cada um deles.

Em seguida, parte-se para a leitura propriamente dita, feita com atenção e grifando as partes mais importantes. Na sequência, vem a esquematização, em que é feito o resumo, que poderá ser usado na hora da revisão. Já a memorização consiste em organizar o resumo de forma que ele seja mais facilmente lembrado.

Por fim, uma autoavaliação é feita, de forma que se faz a autoexplicação do conteúdo oralmente ou por meio da escrita.


Cronograma e organização do tempo
Um aspecto imprescindível de uma boa experiência de estudo é montar um cronograma e organizar seu tempo. No calendário, além das atividades de estudo, devem estar inseridas todas as atividades diárias, lembrando que tudo o que fazemos toma algum tempo, e isso precisa ser levado em consideração.

Este calendário deve ser flexível, personalizado e realista. Se o estudante fizer um calendário com metas impossíveis de serem cumpridas, isso só vai deixá-lo mais frustrado e ansioso. O calendário deve ser uma ferramenta de ajuda e não uma fonte de angústia.

O primeiro passo é pensar quantas horas por dia é possível estudar. De preferência, distribua seus estudos ao longo do dia em vez de concentrá-los num período só. Outra boa ideia é fazer uma divisão personalizada do tempo por disciplinas e tópicos, de forma que seja viável guardar mais tempo para matérias mais importantes ou que representem uma maior dificuldade para você. Também é aconselhável reservar um período para tirar dúvidas e rever tópicos — quanto mais bem estudado estiver um tópico, mais rápida será sua revisão. Muitas pessoas preferem começar o dia revendo os tópicos do dia anterior.

Outro aspecto importante é criar pequenos intervalos; por exemplo, parar por 15 minutos depois de 50 minutos de estudo. Mas os intervalos maiores também são importantes. Saber reservar horas para o lazer e prezar a qualidade do sono são aspectos muito importantes no que diz respeito à fixação do estudo, à concentração e ao aumento da produtividade.


Concentração
Depois do cronograma montado, pode-se enfrentar um outro problema: a dificuldade de concentração. Se a pessoa não consegue se concentrar na hora dos estudos, de nada adianta que todo o conhecimento necessário esteja à sua disposição.

Os fatores que atrapalham sua atenção podem ser internos ou externos. Entre os fatores internos estão a ansiedade e as preocupações com problemas pessoais. Já entre os fatores externos estão os acontecimentos inesperados, barulhos, luminosidade ruim, local inadequado para o estudo e doenças.

Daí, uma boa capacidade de análise entra em cena como auxílio para os estudos. Afinal, dentro todos os aspectos que podem distrair sua atenção, é preciso saber quais o estão atingindo.

Quanto ao local de estudo, é interessante ter um lugar específico para isso e que esse lugar seja confortável, bem iluminado e que todo o material necessário esteja à sua disposição, para facilitar o processo e evitar interrupções. Fora isso, é importante tirar de perto tudo o que possa causar algum tipo de distração, como aparelho celular e TV, por exemplo. Outra coisa que se deve fazer é deixar claro para os outros membros da casa que aquele é seu horário de estudo e que você deseja não ser interrompido.


O dia da prova
Estar ansioso no dia de um exame importante é normal, mas tomar alguns cuidados para evitar o nervosismo excessivo pode ajudar. Um desses cuidados é relaxar no dia anterior ao da prova em vez de estudar. Outro cuidado é chegar com antecedência ao local do exame, de forma que, caso algum incidente aconteça, você ainda tenha um tempo para contornar a situação e não fique ainda mais nervoso.

Na hora do exame, outros cuidados devem ser tomados: ler todo o enunciado antes de responder; planejar o tempo de resposta de cada questão, levando em consideração o grau de dificuldade de cada uma; começar pelas questões mais fáceis; e reservar um tempo no final para a revisão.


Lidar com insucessos
Quando se está prestando vestibular ou outros concursos, não é fácil lidar com os insucessos, o que muitas vezes pode deixar o candidato mais inseguro e ansioso. Mas aprender a usar o insucesso como uma forma de aprendizado é a melhor maneira de garantir o sucesso no futuro. Nunca se deve encarar uma reprovação como algo definitivo e insuperável ou como um sinal de que é melhor desistir.

Participar de um exame e falhar confere a você duas armas importantes: o conhecimento prático sobre a execução da prova e a percepção de quais são os pontos fracos que você precisa trabalhar. Esses pontos podem ser uma maior necessidade de conhecimento, de agilidade ou de capacidade de expressão, por exemplo.

Além disso, é importante conseguir enxergar além do insucesso e valorizar também os sucessos: em quais pontos você se saiu bem, a superação de desafios, a iniciativa e a coragem de participar do processo seletivo, bem como o conhecimento adquirido, por exemplo.

Outra atitude importante é não abandonar as amizades e os momentos de lazer, que podem ser ótimas válvulas de escape para as horas difíceis.


Autoconhecimento
Encontrar as melhores técnicas, os melhores horários e qual nível de atenção deve ser dado a cada tópico de estudo é um exercício muito pessoal, que depende de autoconhecimento e de uma avaliação realista de quais são suas condições e disponibilidade de estudo.

Existem coisas que funcionam para todo mundo, como organização, dedicação, treino, revisões etc., mas existem aspectos que são individuais e é preciso saber se você rende mais ouvindo, assistindo ou copiando, por exemplo; se você rende mais de manhã, à tarde ou à noite; com música ou sem música; sozinho ou em grupo. E, se alguma técnica não funcionar para você, abandone-a.

Geralmente, os aspectos que mais atrapalham os estudos são pessoais — como preguiça, medo e desorganização — e circunstanciais — como amizades, família e trabalho. Se souber reconhecer quais são suas dificuldades será muito mais fácil gerenciá-las e conseguir uma boa produtividade nos estudos.


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