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Dispraxia, dificuldade no desempenho de movimentos.
JANEIRO 2017
 
 
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 SÍNDROME DO DESASTRADO
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A dispraxia causa dificuldades de planejamento de qualquer sequência de movimentos coordenados como, por exemplo, dificuldade para amarrar os sapatos.

Popularmente conhecida como "síndrome do desastrado" a dispraxia é uma disfunção motora neurológica que impede o cérebro de desempenhar os movimentos corretamente. É também conhecida por outros nomes como: disfunção motora, distúrbio do desenvolvimento da coordenação motora ou como dificuldade de percepção. Trata-se de uma condição que normalmente se apresenta na infância e quando diagnosticada precisa da ajuda dos pais, familiares, professores e profissionais de saúde para que possa ser tratada de forma adequada.

A criança "dispráxica" apresenta dificuldade e lentidão na execução de habilidades motoras que podem ser:

Habilidades motoras grossas - Dificuldade de realizar movimentos que envolvem os grandes músculos do corpo ou grupos de músculos que permitem andar, pular, correr, pular em uma perna só, ou jogar um objeto.

Habilidades motoras finas - Dificuldade na execução de tarefas que são realizadas pelos pequenos músculos do corpo, como os músculos das mãos, pés, cabeça ou do rosto (incluindo a língua e os lábios). São movimentos mais difíceis e delicados, como, escrever, desenhar, pintar, montar um quebra-cabeça, amarrar um sapato ou pentear os cabelos.

A criança com dispraxia tem dificuldades também para organizar seus pensamento (planejar o que, e como fazer).

As áreas que sofrem mais alterações são as do esquema corporal e a orientação têmpora espacial. Em alguns casos a linguagem não é afetada, a criança com dispraxia apresenta fracasso escolar, pois a escrita é a área mais comprometida, porém, estudos comprovam que a criança dispráxica pode aprender a digitar com rapidez, assim, com o uso do computador, o fracasso escolar pode ser superado, considerando que a parte cognitiva não é afetada. Experiências em andamento, mostram que jogos com a tecnologia kinect estão auxiliando no progresso da dispraxia.

Várias são as causas atribuídas à dispraxia, como a hereditariedade, traumas ou lesões sofridas pelo cérebro, acidente vascular ou um atraso com o desenvolvimento normal neurológico. Os neurônios chamados de motores, enviam sinais que permitem a passagem de informações para diferentes partes do corpo. As conexões entre os neurônios começam a se desenvolver e a reforçar-se na infância, quando uma ação como pegar uma colher para comer, ou um copo para beber, sejam realizadas de forma correta. Estes neurônios motores, podem não se desenvolver e amadurecer tão rapidamente com alguém com dispraxia. Como resultado, eles não são tão eficazes na transmissão da informação do cérebro para a movimentação dos músculos.

Para a maioria das pessoas com dispraxia, a causa exata desse problema no desenvolvimento neuronal não é conhecida. No entanto, estudos sugerem que o risco da dispraxia pode aumentar quando: há exposição ao álcool e as drogas como cocaína e anfetamina, enquanto um bebê está em desenvolvimento no útero da mãe; nascimento prematuro ou ter um membro da família com dispraxia.

A dispraxia pode afetar crianças de diferentes maneiras e graus. Algumas apresentam problemas leves de coordenação em seus movimentos, enquanto outras são mais severamente afetadas.

Os problemas podem interferir com a capacidade de uma criança para participar em atividades diárias e habilidades para a vida, incluindo a educação. Para muitas pessoas a dispraxia continua na idade adulta e por isso o trabalho pode ser afetado. Ter dispraxia não significa que a criança seja menos inteligente, mas isso não significa que a sua capacidade de aprendizagem não seja afetada.

Determinados sintomas ou sinais que podem estar presentes em bebês e crianças com dispraxia incluem: Tônus muscular (estar sempre tenso); dificuldade para rolar, sentar, levantar; subir e descer escadas, correr, saltar, chutar bola, mastigar alimentos sólidos, dificuldade em pegar objetos usandos os dedos indicador e polegar, vestir-se, etc.

Na idade adulta, os sinais de dispraxia podem incluir, falta de planejamento e organização, dificuldade em aprender a dirigir ou executar novas tarefas no lar ou no trabalho.

Alguns tipos de dispraxia são:

Dispraxia motora – Incluem dificuldades ao nível do esquema corporal e atraso na organização motora (vestir, comer, etc.). Pode, igualmente, estar associada à lentidão, imprecisão e dificuldades de planificação de movimentos simples: quando se chama vulgarmente uma criança de desajeitada ou atrapalhada;

Dispraxia espacial - Caracterizada por uma desorganização do gesto, do esquema corporal e das relações com o espaço. Podem surgir, dificuldades de seriação e classificação, bem como de utilização de conceitos (ex: alto, baixo, etc.);

Dispraxia postural - Dificuldades na postura, que se refletem num movimento realizado sem ritmo e com pouco controle;

Dispraxia Verbal: perturbação do desenvolvimento da linguagem que se caracteriza por um déficit da fala: fonológico, fonético e na implementação do programa motor da fala.

Os termos Dispraxia Verbal, Dispraxia Evolutiva ou Apraxia da fala, frequentemente são utilizados indistintamente para indicar uma desordem expressiva, de origem neurológica, que interfere na produção dos sons da fala e da sequência de sílabas ou palavras. Tal desordem é ocasionada por uma sutil lesão ou falta de desenvolvimento na zona motora do cérebro encarregada da programação dos movimentos dos órgãos articulatórios. Geralmente, o indivíduo não tem dificuldade em atividades não verbais nas quais intervenham os músculos relacionados com estes movimentos, tais como tossir, mastigar ou deglutir, já que implicitamente estes músculos não estão comprometidos. Na Dispraxia da fala, os erros na articulação são inconsistentes e não dependem da vontade do individuo para controlá-los. Frequentemente, o individuo é capaz de produzir um som ou uma palavra uma vez e não reproduzi-la corretamente na sequência.

A maioria das crianças com dispraxia ou apraxia da fala não possuem antecedentes de sofrimento fetal ou hipóxias que poderiam sugerir uma causa pré ou perinatal.

É raro achar uma pessoa com dispraxia ou apraxia da fala pura. Geralmente há eventos associados, tais como atrasos no desenvolvimento da linguagem, deficiências no processamento da informação auditiva, ou dificuldades cognitivas. Somente uma investigação e avaliação completa realizada por uma equipe de profissionais poder identificar a real causa.

O tratamento para a dispraxia geralmente envolve profissionais da saúde que irão melhorar tanto o aspecto físico da criança como a força muscular, equilíbrio e também o aspecto psicológico, proporcionando mais autonomia e segurança, porém com conhecimento para lidar com as limitações impostas pela dispraxia, como:

Terapeuta Ocupacional auxilia no desenvolvimento para as atividades diárias em casa e na escola, como comer, vestir-se e segurar uma caneta ou lápis para escrever;

Fonoaudiólogo para ajudar na fala e comunicação;

Psicólogo educacional para auxiliar no progresso escolar.

Uma abordagem de tratamento especial, que pode ser sugerida é conhecida como treinamento motor perceptual, que envolve uma série de tarefas diferentes que auxiliam no desenvolvimento da linguagem, da audição e dos movimentos.

Não há cura para a dispraxia, mas, condições de melhora à medida que a criança cresce e amadurece. Diagnóstico e tratamento de dispraxia precoce são muito importantes. Isso ocorre porque o cérebro muda e se desenvolve rapidamente durante os primeiros anos de vida. É nessa época que novas ligações são feitas dentro do sistema cerebral e nervoso. É quando a criança começa a desenvolver novas competências e habilidades, quanto mais cedo a dispraxia é diagnosticada e tratada maior são as chances de melhora.


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