ENTENDER O MUNDO/ATUALIDADES
Discalculia, uma limitação na aprendizagem
MAIO 2016
 
 
Conheça
#FFFFFF
    ARTIGO      
 DISCALCULIA
Imprimir Enviar Guardar
 
Discalculia léxica: dificuldade na leitura de símbolos matemáticos.

A palavra discalculia vem do grego (dis, mal) e do Latin (calculare, contar/ cálculo). A discalculia é definida como um problema causado por má formação neurológica que afeta a habilidade de uma pessoa no aprendizado ou na manipulação dos números. Essa dificuldade de aprendizagem não é causada por deficiência mental, má escolarização, déficits visuais ou auditivos, e não tem nenhuma ligação com níveis de QI e inteligência.

A discalculia atinge crianças e adultos. É uma inabilidade menos conhecida, bem como, e potencialmente relacionada a dislexia e a dispraxia. Há indicações de que é um impedimento congênito ou hereditário, com um contexto neurológico. Portadores de discalculia são incapazes de identificar sinais matemáticos, montar operações, classificar números, entender princípios de medida, seguir sequências, compreender conceitos matemáticos, relacionar o valor de moedas entre outros.

Inicialmente a discalculia foi estudada por Gestsmann em 1924, por este motivo teve sua primeira nomenclatura como sendo a Síndrome de Gestsmann. Somente em 1974, o estudioso Dr. Ladislav Kosc, descreveu este distúrbio que causa dificuldade na aprendizagem da matemática, decorrente de uma falha na rede transmissora de impulsos nervosos, que conduzem as informações químicas através dos neurônios, essa falha ocorre na parte superior do cérebro que é a área responsável pelo reconhecimento de símbolos. Oficialmente este distúrbio passou a se chamar discalculia e foi descrito em seis tipos:

Discalculia léxica: dificuldade na leitura de símbolos matemáticos;

Discalculia verbal: dificuldades em nomear quantidades matemáticas, números, termos e símbolos;

Discalculia gráfica: dificuldade na escrita de símbolos matemáticos;

Discalculia operacional: dificuldade na execução de operações e cálculos numéricos;

Discalculia practognóstica: dificuldade na enumeração, manipulação e comparação de objetos reais ou em imagens;

Discalculia ideognóstica: dificuldades nas operações mentais e no entendimento de conceitos matemáticos.

A matemática é uma ferramenta essencial em nossas vidas, por isso a importância de diagnosticar a discalculia nos primeiros anos de vida.

Para o professor diagnosticar a discalculia em seu aluno, é fundamental observar a trajetória da aprendizagem dele e ficar atento à alguns possíveis sintomas como:

- Dificuldade frequente com os números, confundindo as operações de adição, subtração, multiplicação e divisão;

- Problemas para diferenciar entre esquerdo e direito;

- Falta de senso de direção (para o norte, sul, leste e oeste) , dificuldade com uma bússola;

- Inabilidade de dizer qual de dois números é o maior;

- Dificuldades para ler relógios analógicos;

- Inabilidade para compreender o planejamento financeiro ou incluir no orçamento o custo de um produto;

- Dificuldade mental de estimar a medida ou a distâcia de um objeto;

- Inabilidade de apreender e recordar conceitos matemáticos, regras, fórmulas e sequências matemáticas;

- Dificuldade de manter a contagem durante jogos;

A circunstância pode conduzir em casos extremos a uma fobia por matemática e por números.

As causas da discalculia continuam sendo investigadas e estão associadas com as lesões ao supramarginal e os giros angulares na junção entre os lóbulos temporal e parietal do córtex cerebral, porém, outras causas ainda não comprovadas cientificamente podem ser:

Um quociente de inteligência baixo (menos de 70, embora as pessoas com o QI normal ou elevado possam ter discalculia);

Um estudante que teve muita dificuldade em aprender a matemática em função da metodologia adotada pelo professor;

Memória a curto prazo reduzida, dificultando recordar os cálculos;

Possível desordem congênita ou hereditária.

Por se tratar de um distúrbio ou déficit neurológico, a discalculia não tem cura. O tratamento deve ser feito por psicopedagogos especializados, além de, neurologistas. O psicopedagogo atuará com relação à autoestima e a valorização das atividades realizadas. Também descobrirá o processo de aprendizagem da criança através de instrumentos, como jogos, habilidades psicomotoras e espaciais e contagem. O neurologista confirmará, através de exames, a dificuldade específica do paciente, e o encaminhará para o tratamento ideal. É importante detectar as áreas do cérebro afetadas. Estudiosos mostraram aumento da atividade de EEG no hemisfério direito durante o processo de cálculo algorítmico.

No Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) , portadores de discalculia tem atendimento especial. Em 2014, candidatos que comprovaram o problema, puderam ter acesso a uma calculadora e uma hora a mais para concluir a prova. Em 2015, além da calculadora e do horário estendido, o candidato poderá contar com a ajuda de um leitor e um transcritor. Para isso, o portador da dificuldade deverá indicar o problema no ato da inscrição.

O candidato também terá que comprovar a deficiência por meio de laudos médicos. E, ainda assim, o mesmo receberá ligações de funcionários do Inep, após a solicitação e o encerramento do prazo das inscrições, para confirmar o auxílio requerido e a necessidade de tempo extra, dependendo do tipo e do grau da deficiência.


Leia também:
Dispraxia, dificuldade no desempenho de movimentos