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Dia do cinema brasileiro, 19 de junho
JUNHO 2019
 
 
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 BREVE HISTÓRIA DO CINEMA NO BRASIL
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Capitão Nascimento, protagonista de Tropa de Elite, ganhador do Urso de Ouro em Berlim / Divulgação

Na cidade do Rio de Janeiro, em 19 de junho de 1898, o primeiro filme com imagens do Brasil era exibido: Vista da Baía de Guanabara, do italiano Afonso Segreto. O cineasta realizou as filmagens a bordo de um navio, quando retornava da Europa com uma câmera comprada. Na data de aniversário da mostra do filme, comemora-se também o dia do cinema nacional.

Inicialmente, a produção cinematográfica no país era esporádica. Nos primeiros dez anos a maior parte eram curtas-metragens. Depois surgiram outros gêneros: adaptação de peças de teatro, melodramas, sátiras, comédias, etc. Paschoal Segreto (irmão de Afonso Segreto), Alberto Botelho e Júlio Ferrez destacaram-se, na época, como produtores da sétima arte.

Sem recursos de áudio, era comum que os atores, principalmente em musicais, ficassem atrás da tela dublando e cantando. As obras literárias tomaram conta das telas e auxiliaram a dar argumento aos filmes. As obras de José de Alencar, por exemplo, inspiraram os novos cineastas e O guarani e Iracema ganharam versões cinematográficas. Estima-se que entre 1920 e 1930 tenham sido realizadas cerca de 120 produções. A competição com filmes internacionais sempre foi, porém, um desafio para o cinema nacional.

O primeiro filme brasileiro sonorizado foi Acabaram-se os Otários, dirigido por Luiz Barros e lançado em 1929. A década de 1930 foi marcada pelo surgimento do estúdio Cinédia, que promoveu filmes como Coisas nossas (1930), Alô, alô, Brasil (1936), Bonequinha de seda (1936) e Banana da terra (1939), de Wallace Downey, Ademar Gonzaga, Oduvaldo Viana, entre outros. A voz do carnaval (1933), assim como o já citado Alô, alô Brasil, tinha a participação de Carmen Miranda e de cantores de sucesso do rádio, como Alzirinha Camargo e Francisco Alves.

O cinema brasileiro, no início amador, aos poucos vai se profissionalizado. Na década de 1940 surge o estúdio Atlântida e, na década de 1950, as produtoras Vera Cruz, Maristela e Multifilmes. E se as chanchadas, que misturavam música, humor e sensualidade, popularizaram o cinema, filmes como O cangaceiro (1953), de Lima Barreto, Rio, 40 graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos, atestam o aprimoramento técnico e artístico das produções nacionais.

Na década de 1960, entre em voga o cinema novo. Com a ideia “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” os jovens cineastas, sem muitos recursos, escolhem retratar temáticas mais realistas, com as mazelas do país. São exemplos dessa linha: O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte e premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes; Deus e o diabo na terra do sol (1963) e Terra em transe (1967), ambos de Glauber Rocha; Vidas secas (1964), de Nelson Pereira dos Santos, etc. No entanto, com a censura instaurada no período de regime militar, o cinema novo, considerado hermético e difícil, vai declinando. Na outra ponta crescem as pornochanchadas, produções consideradas de baixa qualidade.

Em 12 de setembro de 1969, por meio do decreto-lei nº 862, foi criada a Embrafilme, empresa estatal produtora e distribuidora de filmes nacionais. Sua função era fomentar a indústria de cinema brasileira. Ela foi desativada em 1990, no governo Collor, época em que a sétima arte no Brasil encontrava dificuldades econômicas. A retomada ocorreu com incentivos fiscais advindos com a Lei Rouanet, que tem como objetivo promover a produção cultural brasileira. Atualmente é a Ancine (Agência Nacional do Cinema) que regula e fiscaliza as leis de incentivo ao cinema brasileiro.

A partir da segunda metade da década de 1990, a produção foi retomada, com filmes como Carlota Joaquina, princesa do Brasil (1995), de Carla Camurati, O quatrilho (1994), de Fábio Barreto e Tieta do agreste (1996), de Carlos Diegues.

Outros filmes brasileiros recentes merecedores de destaque são: Central do Brasil (1998), de Walter Salles – indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro –, Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, Carandiru (2003), de Hector Babenco, Tropa de Elite (2007 e 2010), de José Padilha, e Xingu (2012), de Cao Hamburger.

O talento brasileiro também tem sido cada vez mais reconhecido em estúdios estrangeiros. A animação Rio exemplifica esse fenômeno. Carlos Saldanha, o diretor, é brasileiro. E a música tema do desenho – que concorreu ao Oscar em 2012 – teve participação de Carlinhos Brown, músico baiano.

Outra animação brasileira que recebeu reconhecimento da premiação do Oscar foi O menino e o mundo (2014), de Alê Abreu, que concorreu na categoria de Melhor Animação na premiação em 2016.

A dupla Kleber Mendonça Filho e Sônia Braga tem feito sucesso no Festival de Cinema de Cannes, onde levaram o Prêmio do Júri por Bacurau (2019) e concorreram ao Palma de Ouro com Aquarius (2016). Os dois títulos têm forte viés político e foram usados pelo diretor como forma de protesto contra o cenário político brasileiro.