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Jogos Olímpicos de Pequim
AGOSTO 2008
 
 
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 JOGOS OLÍMPICOS DE PEQUIM
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Entre 8 e 24 de agosto, foram realizados em Pequim, os XXIX Jogos Olímpicos. A capital da República Popular da China acolheu, assim, o maior evento esportivo internacional, um encontro que foi precedido por uma série de manifestações que reivindicavam a abertura do Governo chinês para a democracia. Porém, ao contrário do que se esperava, os Jogos transcorreram sem maiores incidentes.

Made in China
Alheio aos protestos pró-direitos humanos, o Governo chinês quis mostrar ao mundo, desde o começo, que seu país está na vanguarda com relação à tecnologia e às instalações. Tanto Pequim como as subsedes de Qingdao, Shangai e Hong Kong contaram com uma grande variedade de recursos técnicos, que incluíam todo tipo de luxos para os esportistas. Entre as principais instalações construídas para acolher os jogos, destacou-se o Estádio Nacional, que foi apelidado de Ninho do Pássaro, devido ao seu formato, estruturado com 42 mil toneladas de aço. Esta construção gigante é o cenário no qual se realizou uma das aberturas mais bonitas da história das Olimpíadas, o encerramento dos Jogos, assim como as disputas de futebol e atletismo. De 6 a 17 de setembro de 2008, as instalações também serão palco da realização dos Jogos Paraolímpicos.

As estrelas
As grandes estrelas das Olimpíadas de Pequim foram o nadador americano Michael Phelps, de 23 anos; a saltadora de vara russa Yelena Isinbayeva, de 26 anos; e o velocista jamaicano Usain Bolt, de 22 anos. Todos estabeleceram novos recordes.

Phelps conquistou oito medalhas de ouros e superou o feito do também nadador americano Mark Spitz, de 58 anos, que havia ganhado sete ouros nas Olimpíadas de Munique, em 1972. Isinbayeva foi campeã olímpica pela segunda vez consecutiva, quebrando o recorde de sua categoria pela 24a vez. Já Bolt conquistou três ouros.

Os países que obtiveram os melhores resultados foram China, Estados Unidos e Rússia. A China ficou em primeiro lugar conquistando um total de 100 medalhas, sendo 51 de ouro. Os Estados Unidos, apesar de terem somado 110 medalhas, conquistaram um número menor de medalhas de ouro, 36, ficando em segundo lugar no quadro geral. A Rússia garantiu o terceiro lugar, com um total de 72 medalhas, sendo 23 de ouro.


Jogo limpo
O comissão organizadora de Pequim 2008 se comprometeu a lutar contra o doping. Para conseguir que seus jogos fossem os mais limpos da história, criou uma agência especializada para combater o uso de substâncias proibidas. A República Popular da China, em plena campanha para melhorar sua imagem, não quis que se repetisse o que ocorreu nos Jogos Olímpicos de Sidney de 2000, quando a atleta americana Marion Jones, de 33 anos, ganhou cinco medalhas sob efeito de substâncias proibidas que melhoraram seu potencial físico. Os exames feitos pelo comitê australiano não detectaram nada, e só a confissão da atleta em 2007 obrigou o Comitê Olímpico Internacional (COI) a retirar suas medalhas. Foi um fracasso dos controles antidoping que o comitê chinês não queria repetir.

Recordação olímpica
Os Jogos de Pequim propuseram uma idéia original para o financiamento deste tipo de evento, que, sem dúvida, será copiada nos próximos encontros olímpicos. Todos os objetos da Vila Olímpica, como as bandejas da cafeteria, as cadeiras e, inclusive, as camas onde dormiram os jogadores, serão leiloados. O leilão, que será feito pela Internet, tem a intenção de arrecadar mais de US$ 150 milhões.

Como de costume, os Jogos Olímpicos mostraram novos esportes, que aspiram ganhar espaço nas próximas edições. Entre as novas modalidades esportivas, destacou-se a natação de longa distância, realizada fora das piscinas. Esta prova de longa duração, na qual os nadadores têm que percorrer 10 quilômetros, é conhecida popularmente como “maratona de natação” e pode ser realizada no mar, em um lago ou em um rio. O comitê chinês elegeu o parque aquático de Shunyi, ao noroeste de Pequim, para a realização desta prova nos dias 21 e 22 de agosto. Os medalhistas de ouro da prova foram o holandês Maarten van der Weijden, de 27 anos, e a russa Larisa Ilchenko, de 20 anos. Weijden surpreendeu a todos por ter sido campeão depois de vencer uma batalha contra uma leucemia, diagnosticada
em 2001.


Uma decisão controversa
Desde que, em 2001, o COI decidiu que a cidade de Pequim era a mais adequada para acolher a realização dos Jogos Olímpicos de 2008, polêmicas foram levantadas com relação à China, um país que está na mira das associações de defesa dos direitos humanos, principalmente por causa da dura repressão que exerce sobre os territórios ocupados do Tibet. Além disso, a censura do Governo chinês para qualquer idéia contrária a seus ideais obriga centenas de intelectuais a se exilarem para fugir da pressão a que são submetidos.

Apesar das desconfianças levantadas e dos incidentes durante o trajeto da tocha olímpica por vários países do mundo, os Jogos Olímpicos de Pequim foram interpretados como um sinal da abertura do Governo chinês e um fio de esperança de democracia no país comunista.

Mas, além dos motivos políticos, outros aspectos suscitaram grandes críticas à realização das Olimpíadas em Pequim. A alta poluição do ar da capital chinesa fez com que muitos atletas se preocupassem. O COI, por sua vez, comprometeu-se a adiar as provas quando as condições do ar representassem algum risco para a saúde dos atletas. Apesar dessa garantia, algumas equipes decidiram preservar a saúde e treinar nas semanas anteriores no Japão, país que tem condições climáticas parecidas com as da China, mas com menor índice de poluição.

Da mesma forma, as equipes olímpicas britânica e americana optaram por levar sua própria comida, pois não confiavam nas condições sanitárias que oferecia o serviço de alimentação chinês.


Brasil
Em algumas modalidades olímpicas, o desempenho dos atletas brasileiros esteve abaixo do esperado. Foi o que aconteceu com a ginástica olímpica, modalidade na qual não obtivemos nenhuma medalha. As medalhas de prata da vela, do futebol feminino e do vôlei masculino de quadra e de praia, assim como o bronze do futebol masculino, apesar de serem grandes conquistas olímpicas, decepcionaram os brasileiros, que estão acostumados a vencer nestes esportes.

O nadador César Cielo Filho, de 21 anos, conquistou a primeira medalha de ouro para o Brasil nas Olimpíadas de Pequim, o que representou também o primeiro ouro em natação conquistado pelo país. Mas, com relação aos atletas brasileiros, foram as mulheres as grandes estrelas.

Maurren Maggi, de 32 anos, campeã do salto em distância, foi a primeira brasileira a ganhar uma medalha de ouro olímpica numa categoria individual. A equipe de vôlei feminino também surpreendeu conquistando o ouro, conquista que já vinha sendo traçada há muito tempo, mas que sempre era perdida nas últimas disputas.

Antes da vitória de Maurren Maggi, porém, a judoca Ketleyn Quadros fez história, conquistando um bronze e sendo a primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha olímpica numa modalidade individual. Natália Falavigna, de 24 anos, também ganhadora de um bronze, trouxe a primeira medalha já conquistada pelo país no taekwondo. O bronze de Fernanda Oliveira e Isabel Swan na vela também foi um feito inédito para as atletas brasileiras.

O Brasil ficou em 23o lugar no quadro geral de medalhas, conquistando três medalhas de ouro, quatro de prata e oito de bronze. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 63 anos, classificou a atuação dos atletas brasileiros como “regular”, mas os números apontaram que o aproveitamento do país cresceu com relação às últimas Olimpíadas, com 26,7% de medalhistas na delegação, ficando atrás apenas do resultado obtido nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, quando 28% dos atletas brasileiros conquistaram medalhas.