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 DESCOBRIMENTO DO BRASIL
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A descoberta do Brasil, feita por Pedro Álvares Cabral, em 22 de abril de 1500, foi a grande conquista de uma bem-sucedida e insistente política de expansão marítima mantida pela monarquia portuguesa.

Naquela época, a construção dos navios e a organização de expedições marítimas só eram possíveis quando custeadas por maciços investimentos estatais, os quais, por sua vez, produziam progressos na arte náutica — desenvolvimento de instrumentos e de técnicas de navegação.


Dom João I, o mestre de Avis
O inicio das navegações portuguesas pode ser datado em 1385, quando João I, conhecido como Mestre de Avis, chega ao trono. Seu reinado levou a dinastia de Avis ao poder e contou com o apoio da nobreza e dos comerciantes do reino.

Dom João I foi quem centralizou o poder monárquico e tornou Portugal um Estado independente, militarmente forte e estável social e politicamente. Esse ambiente propiciou o crescimento do comércio, que, por sua vez, foi economicamente fundamental para a política de expansão marítima.

Aliada ao desenvolvimento econômico estava a privilegiadíssima localização geográfica portuguesa — Portugal, como disse o poeta Fernando Pessoa (1888-1942), é o rosto da Europa fitando o mar. Grande parte do território daquele país está voltada para o oceano Atlântico.

Outro fator importante para a navegação portuguesa foi a criação da Escola de Sagres, que reuniu diversos especialistas — como cartógrafos, astrônomos e marinheiros — que possuíam conhecimento do que de mais avançado se sabia na época sobre a arte de navegar. Foi lá que, em 1418, se realizaram os primeiros estudos e projetos de viagens oceânicas.

A união de todos estes fatores levou Portugal a sucessivos êxitos ultramarinos. O primeiro foi a conquista de Ceuta, em 1415, localizada na costa do Marrocos. Em seguida, empreendeu esforços para chegar às Índias pelo mar, contornando a África. Primeiro os portugueses conquistaram as ilhas atlânticas dos arquipélagos dos Açores, Madeira e Cabo Verde (1425-1427), para em seguida explorar a costa africana.


Álvares Cabral (1467-1520)
A esquadra de Cabral partiu de Lisboa em 8 de março de 1500. Percorreu uma rota a oeste e afastou-se da costa africana. Após um mês de viagem surgiram os primeiros sinais de terra, os quais foram confirmados em 22 de abril, quando foi avistado o monte Pascoal — batizado assim por ter sido descoberto no dia de Páscoa.

Em 22 de abril Cabral aportou no território que, mais tarde, seria denominado pelos portugueses de Brasil. A esquadra — até então a maior enviada à Índia, composta de treze naus — ainda permaneceu alguns dias na região explorando a costa. Enquanto isso, o navegador Gaspar de Lemos, que participava da expedição, voltou para Portugal e entregou a dom Manuel a célebre carta de Pero Vaz de Caminha, na qual são relatadas a viagem e a descoberta da ilha de Vera Cruz, primeiro nome que os portugueses deram às terras brasileiras.


UM BALANÇO DOS DESCOBRIMENTOS
As descobertas dos territórios feitas por conquistadores espanhóis durante a primeira metade do século XVI superaram a soma das realizados por portugueses e espanhóis nos séculos XIII, XIV e XV, os cinqüenta anos restantes do século XVI e todo o século XVII. Nunca na história européia tão poucos, num período tão curto de tempo, haviam descoberto territórios tão extensos. A ambição de um pequeno grupo de homens, o apoio sistemático que a coroa lhes deu e o uso de tecnologias e táticas militares muito superiores às das populações indígenas são os fatores principais do sucesso das expedições castelhanas. Muitas, porém, fracassaram por motivos diferentes: preparação técnica deficiente, conflitos entre os expedicionários, maior resistência dos povos indígenas, condições climáticas muito desfavoráveis, inexistência de metais preciosos, entre outros. Até mesmo as extensas regiões agregadas ao império espanhol durante todo o século XVIII, com novos meios e estratégias, seriam consideradas, em comparação com as conquistas do período 1492-1550, incorporações menores. Até o século XIX, não haveria outro tempo de descobrimentos continentais tão importantes, embora então fosse em outros continentes, basicamente África e Oceania, feitas por outros países, especialmente o Reino Unido e a França.