ENTENDER O MUNDO/ATUALIDADES
Dia do Bibliotecário, 12 de março
JANEIRO 2018
 
 
Conheça Enciclopédia
#FFFFFF
    ARTIGO      
 UMA PROFISSÃO DO FUTURO
Imprimir Enviar Guardar
 
No dia 12 de março, comemora-se o dia do bibliotecário. A data foi escolhida em homenagem a Manuel Bastos Tigre (12/3/1882-1/8/1957), que foi bibliotecário de instituições importantes como o Museu Nacional e a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e a Biblioteca Central da Universidade de Brasília.

Os bibliotecários são as pessoas que cuidam do conhecimento humano e o organizam. Para o escritor argentino Jorge Luis Borges (1889-1986), eles arrumam o universo. Borges dizia que a biblioteca é, na verdade, todo nosso “universo”, o qual, segundo ele, muita gente costuma chamar equivocadamente de “biblioteca”.

Numa época de excesso de informação, necessitamos de organizadores. São eles quem atualmente ajudam a gerenciar dados em instituições. Tanto que, segundo a Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho e Emprego, o bibliotecário é tido como um profissional da informação. Seus trabalhos incorporam atividades como ordenar informações em qualquer suporte e gerenciar centros de documentação, tanto em papel quanto eletrônicos.

Por isso, nos dias de hoje, o bibliotecário é visto mais como um gestor de informação, que pode coordenar bancos de dados ou núcleos de pesquisa de empresas, institutos, universidades e colégios.

Segundo o Sinbiesp (Sindicato dos Bibliotecários no Estado de São Paulo), o “bibliotecário é um profissional liberal, de nível superior, que atua como agente catalisador do acesso à informação contida nos mais variados meios, sejam impressos, eletrônicos ou digitais — de livros, periódicos, documentos a discos, fitas, CDs, bancos de dados etc. Sua atuação também é essencial para a organização de acervos e sistemas informacionais, bem como para a preservação da memória e da história de uma nação a uma organização — seja ela pública ou privada”.

A ciência, arte ou atividade que trata da correta organização e funcionamento de bibliotecas denomina-se Biblioteconomia.


ONDE ESTUDAR
O curso de Biblioteconomia, que em algumas instituições é chamado de Ciência da Informação ou Gestão da Informação, tem duração média de quatro anos.
No Brasil, diversas universidade públicas e particulares oferecem o curso:

Norte: Universidade Federal do Amazonas (AM); Universidade Federal do Pará (PA).

Nordeste: Universidade Federal da Bahia (BA); Universidade Federal do Ceará (CE); Universidade Federal do Maranhão (MA); Universidade Federal de Pernambuco (PE); Universidade Federal do Rio Grande do Norte (RN).

Centro-Oeste: Universidade de Brasília (DF); Universidade Federal de Goiás (GO); Faculdades Integradas Cândido Rondon e Universidade Federal de Mato Grosso (MT).

Sudeste: Fundação Educacional Comunitária Formiguense, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal do Rio Verde (MG); Associação de Ensino de Botucatu, Faculdades Integradas Teresa D'Ávila, Faculdades Integradas Teresa D’Ávila de Santo André, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Universidade Estadual Paulista e Universidade de São Paulo (SP); Universidade Federal Fluminense, Universidade Santa Úrsula, Universidade do Rio de Janeiro (RJ); Universidade Federal do Espírito Santo (ES).
Sul: Universidade Estadual de Londrina (PR); Universidade Federal de Santa Catarina (SC); Universidade Federal do Rio Grande, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (RS).


HISTÓRIA DAS BIBLIOTECAS
Desde o momento em que foi inventada a escrita, surgiu o problema da conservação dos textos e de seus suportes materiais. Os primeiros registros escritos, que teriam sido guardados numa arca, passaram a exigir um recinto especial, comparável a um arquivo. O crescimento dos arquivos exigiu a construção de edifícios inteiros para viabilizar sua consulta.

Chama-se biblioteca toda coleção, privada ou pública, de obras escritas. Nela se incluem os móveis e recintos destinados à guarda de seus volumes. É comum que a biblioteca, sobretudo a mais antiga, inclua em seu acervo desenhos, pinturas, peças numismáticas — moedas e medalhas — e antiguidades. As de grande porte mantêm igualmente jornais, revistas e materiais audiovisuais, como filmes, fotografias, microfilmes e programas para computadores.

Em quase todos os países existem bibliotecas nacionais, mantidas pelo Estado e que servem como centros de referência bibliográfica. As bibliotecas públicas municipais ou estaduais, por sua vez, são igualmente imprescindíveis para a vida intelectual das comunidades. As universidades e os centros de pesquisa, bem como as grandes empresas, mantêm bibliotecas, sem as quais seria impossível acompanhar a evolução das novas técnicas e dos conhecimentos especializados.


EVOLUÇÃO
Três mil anos antes da era cristã os templos egípcios já abrigavam grande quantidade de papiros científicos e teológicos. Por volta de 650 a.C., a biblioteca do rei Assurbanipal, da Assíria, continha cerca de 25 mil tábulas em que se achavam gravados documentos literários, jurídicos e históricos.

Porém, foi a civilização greco-romana que criou a noção de biblioteca, tal como a entendemos em nossos dias, como também a própria palavra (do grego biblos, livro, e theke, depósito). Os templos gregos possuíam bibliotecas e arquivos. No século V a.C., as grandes escolas de filosofia começaram a formar coleções de livros para uso de seus alunos. Assim nasceram as bibliotecas institucionais, além das particulares que já existiam. O maior compilador de livros (na forma de rolos) dessa época foi Aristóteles (384-322 a.C.), cuja biblioteca, ampliada por seus sucessores no Liceu, seria mais tarde transportada para Roma.


BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA
A grande biblioteca da Antiguidade foi a biblioteca de Alexandria. Fundada em 332 a. C. por Alexandre o Grande (356-323 a.C.), a cidade de Alexandria, antiga capital do Egito, ficou famosa na antiguidade por duas edificações monumentais: o farol da cidade, que figura entre uma das sete maravilhas do mundo, e a maior e mais importante biblioteca de seu tempo. Local de florescente atividade intelectual, através de seus filósofos e cientistas, Alexandria promoveu na sua biblioteca a primeira tradução do Antigo Testamento do hebraico para o grego. Mas em 48 a. C. o imperador romano Júlio César (100-44 a.C.) e seus quatro mil legionários invadiram a cidade e causaram grandes perdas à cidade, sendo a biblioteca uma dessas. Alexandria passaria a ser a segunda cidade em importância do Império Romano, o que levou Marco Antônio (c.82-30 a.C.), em um gesto de sensibilidade com a arte e a cultura, a reconstruir o prédio. Esforço em vão. Ocorreram novos ataques à cidade, que foi dessa vez incendiada, e a história viu ruir a monumental biblioteca de Alexandria.

Passados mais de 1.600 anos, o governo do Egito, juntamente com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), anunciou oficialmente a reinauguração da biblioteca de Alexandria para meados de dezembro de 2002. O dispendioso projeto, iniciado há vinte anos, consumiu US$ 200 milhões e ergueu, onde se acredita que tenha sido o local da antiga construção, um prédio de onze andares em forma de disco. O projeto arquitetônico apresenta uma peculiaridade: o edifício se inclina 20 graus em direção ao mar Mediterrâneo. A cerimônia de reabertura de um dos maiores centros de conhecimento da história contou com a presença do presidente egípcio Hosni Mubaraki e personalidades do mundo inteiro, como presidentes, ministros, chanceleres, pesquisadores e cientistas.

A meta inicial da nova biblioteca de Alexandria era acumular oito milhões de livros, mas o diretor da instituição e ex-presidente do Banco Mundial, Ismail Serageldin, consciente de que essa tarefa seria quase impossível, apontou soluções mais modernas: “A quantidade de livros que se possui não é primordial. O que se torna mais importante é a questão de estar à frente na construção de uma biblioteca eletrônica”, afirmou. Para tanto, a nova proposta é a de criar uma ciberbiblioteca, com obras disponibilizadas em versão digital.

Mas Serageldin não abre mão da existência de um foco especial. Segundo ele, a especialização em determinadas áreas é fundamental para que o lado científico da biblioteca ganhe a importância condizente com o nome da instituição: “Existem três áreas nas quais pretendemos ser os melhores do mundo. A casa terá que ser referência em matéria de biblioteca antiga, de Alexandria e do Egito”, disse. Além disso, a instituição promoverá seminários globais sobre temas relacionados ao conhecimento.

Esse caráter moderno da nova biblioteca de Alexandria pode ser uma pedra no sapato de instituições conservadoras do país que refletem, cada vez mais, uma postura contrária à abertura no Egito. O clima tenso da região do Oriente Médio contribui para o temor de que a reabertura da biblioteca tenha ocorrido em uma época conturbada, embora a previsão inicial de inauguração fosse para o início de 2002, quando a situação aparentava ser ainda pior. Um local onde ciência e conhecimento são discutidos abertamente pode não agradar muito a uma sociedade em que grupos islâmicos estão cada vez mais fortes, como é o caso da cidade de Alexandria.

Uma onda de censura de livros que vem assolando o Egito obrigou o governo a tomar medidas especiais para que a biblioteca não fosse afetada. Ismail Serageldin afirmou que possui carta branca do governo egípcio para adquirir os livros que bem entender. “Se algum muçulmano fundamentalista devoto, quiser repudiar os Versos satânicos [do escritor Salman Rushdie], onde encontrará um exemplar do livro?”, questionou.