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 XENOFOBIA NA EUROPA
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Jean-Marie Le Pen durante uma reunião para as eleições presidenciais da França em 2002

O colonialismo levado a cabo pelos países europeus provocou inúmeros abusos, os quais, por sua vez, desembocaram no apartheid. Na atualidade, o racismo e a xenofobia dirigidos contra os imigrantes constituem um dos principais problemas da Europa. O velho continente recebe milhares de imigrantes africanos, latino-americanos e também dos países do leste europeu. Uma das respostas européias para essa presença cada vez maior foram os partidos e os políticos xenófobos. Em países democráticos como Holanda, Áustria, França e Itália apareceram partidos políticos que priorizam em seus discursos argumentos contra os estrangeiros.

O austríaco Jörg Haider e o francês Jean-Marie Le Pen são dois representantes políticos dessa corrente xenófoba que vem sacudindo a Europa. O primeiro foi duramente criticado por não condenar o extermínio nazista e por declarar publicamente suas simpatias por Hitler, chegando ao cúmulo de condecorar soldados da SS nazista que participaram da guerra. Haider nasceu em 26 de janeiro de 1950 numa família modesta e fortemente marcada pelo nacional-socialismo. Quando seu pai, Robert, tinha quinze anos, entrou para a Juventude Hitlerista. Depois, atuou em forças nazistas. Sua mãe, Dorothea, era uma filha de família burguesa e nacional-socialista fervorosa. A fortuna de Jörg Haider veio do lado materno da família.

Em 2000, Haider fez parte de um governo de coalizão austríaco. O resto dos países que, nessa época, constituíam a União Européia censuraram a participação de Haider no governo de seu país. Ainda que a coalizão da qual Haider fazia parte tenha dito que seu governo estava legitimado pelas urnas, políticos de países europeus afirmavam que não há legitimidade num partido que defende princípios contrários à Declaração dos Direitos Humanos.

Já na França, nas eleições de 2002, a surpreendente ascensão da extrema-direita, representada pela Frente Nacional, tirou o socialista Lionel Jospin do segundo turno e envergonhou a maioria dos franceses, que não se sentiam representados pelo discurso de ódio de Jean-Marie Le Pen. Além disso, existem outros exemplos, na Itália e na Holanda, de partidos de extrema-direita que obtiveram grande representação parlamentaria. Isso nos leve a crer que o problema da xenofobia na Europa não se trata de um problema pontual.

O mais preocupante não foi o fato de esses partidos existirem, mas sim o fato de parte da população de seus respectivos países se sentir identificada com seus discursos, baseados sempre na mesma e equivocada idéia: a culpa dos problemas sociais e as dificuldades econômicas dos países europeus seriam resultado da chegada dos imigrantes. Essa idéia é contrária à Europa cada vez mais integrada dos dias de hoje.

Em todo caso, é muito importante estabelecer quais valores devem formar as sociedades atuais, como as européias. Desde que foi proclamada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (em 1789), abolida a escravidão e a luta pela igualdade e pelos direitos das comunidades negras ganhou força, foram produzidos avanços sociais que defendem a dignidade dos seres humanos. Esses fatos tornaram a tese de que todos os seres humanos devem ser respeitados e que políticas baseadas em idéias xenófobas sejam banidas da vida política mundial tornou-se um parâmetro mundial.

O que todo o ser humano tem em comum é mais importante do que aquilo que nos separa. Não ter sempre em mente esse princípio conduz a situações nefastas como foi o apartheid, no qual foram estabelecidas leis racistas, pois um grupo de indivíduos se considerava superior ao resto. O discurso racista quebra o espírito da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.