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Gandhi, a força da não violência
 
 
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 NÃO À GUERRA!
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Os jovens norte-americanos também se manifestaram contra a guerra do Vietnã

O nome de Gandhi está ligado de maneira indissociável à não-violência como método de luta para impulsionar as transformações históricas. Figura-chave no processo de descolonização que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, o Mahatma diferenciou-se forçosamente dos demais líderes dos movimentos de libertação nacional — Nasser (Egito), Sukarno (Indonésia) e Ben Bella (Argélia), entre outros — por recusar a via armada.

Seu posicionamento político tinha como substrato uma visão filosófica contraposta à dos outros dirigentes, até na recusa ao culto à personalidade que costuma acompanhar as grandes lideranças. Gandhi partia de um raciocínio elementar: se a violência é o traço essencial da opressão, os oprimidos não podem identificar-se com ela, pois correm o risco de se tornarem uma réplica do que dizem combater. Pelo contrário, o Mahatma enfatizou os conteúdos éticos da luta e a necessidade de antepor os princípios a qualquer conveniência conjuntural. Convencido de que não há mudança social se não houver mudança na consciência social, destacou a importância da educação popular a partir dos princípios fundamentais das grandes religiões, como paz, justiça, igualdade, solidariedade e respeito profundo aos direitos humanos.

Em princípios do século XXI, junto com a expansão globalizadora, propagou-se pelo mundo o descrédito pela política, que cada vez mais se associa com a corrupção. Também generalizou-se a violência, tanto no interior dos países — repressão, tortura, pena de morte, delinqüência — como no plano internacional (guerra nos Balcãs, no Afeganistão e no Iraque, “limpezas étnicas”). Parece que o mundo segue um rumo oposto ao pregado por Gandhi. Não obstante, nunca soou tão premente que “outro mundo é possível”.

Em 1923 Gandhi introduziu a imagem da roca na futura bandeira da Índia. Não era apenas parte do boicote aos produtos têxteis britânicos. Mais profundamente, era a reivindicação do trabalho como fruto de toda riqueza. Hoje, até a Índia, à qual Gandhi dedicou todos os seus esforços, desenvolveu armas nucleares. Ante a onda de pessimismo que percorre o planeta, talvez tenha caráter de urgência o retorno à sabedoria elementar de Gandhi, que dizia de si mesmo: “Sou apenas uma pobre alma extraviada que se esforça em ser totalmente boa”. Talvez seja esta a hora do Mahatma, porque depois pode ser nunca.