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Gugu Liberato, a impressionante trajetória de sucesso
 
 
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Gugu Liberato é reconhecido por todos, sem dúvida, como um dos nomes de maior sucesso na história da TV brasileira. Nascido Antônio Augusto de Moraes Liberato, também era chamado de Toninho, por sua família. Nascido em São Paulo, no dia 10 de abril de 1959, era o filho mais novo de Augusto Claudino Liberato, que era caminhoneiro, e Dona Maria do Céu Moraes, que vendia roupas nas ruas para criar os filhos. Ambos vindos de Portugal, do distrito de Bragança, na região de Trás-os-Montes, Gugu teve uma infância feliz, mas dura, por ter que começar a trabalhar muito cedo para ajudar seus pais.

Por um tempo resolveu frequentar outros cursos que não tinham ligação nenhuma com a área de comunicação, mas acabou descobrindo seu verdadeiro talento, se formando em jornalismo. Antes, o apresentador havia cursado um ano de odontologia na Universidade de Marília, mas logo desistiu a pedido de Silvio Santos, formando-se em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, curso cujas mensalidades foram pagas pelo próprio Silvio Santos.


Carreira na TV
O início da carreira na televisão foi ainda na adolescência, aos 14 anos de idade, como assistente de produção do programa Domingo no Parque, apresentado por Silvio Santos no início da década de 1970. Gugu usava as horas de folga do serviço para escrever cartas com sugestões de brincadeiras ao dono do SBT. A iniciativa abriu a porta para sua primeira oportunidade na emissora de Abravanel. Um de seus primeiros programas, em 1981, foi a Sessão Premiada Paulista, a versão carioca era apresentada por Paulo Barboza.

Em 1982, Silvio Santos pediu que Nelly Raymond, uma importante diretora argentina, criasse um programa para os sábados à noite. Era o Viva a Noite, que no início era dividido em várias partes, e apresentado também por nomes como Ademar Dutra, Mariette Detotto e Jair de Ogum. Depois de algumas mudanças de formato, Gugu permaneceu sozinho no comando do programa, posteriormente dirigido por Homero Salles. Ao mesmo tempo em que comandava o Viva a Noite, Gugu permaneceu por algum tempo dirigindo o Domingo no Parque e como editor do boletim Semana do Presidente, que era veiculado nos intervalos entre os quadros do Programa Silvio Santos.

Depois do sucesso do grupo Menudo, famoso pela música Não se reprima, que foi exaustivamente promovido pelo Viva a Noite, em 1984, lançou grupos musicais brasileiros do mesmo formato, como Dominó e Polegar, se tornando um empresário de sucesso. Sua produtora, a GGP, era responsável pela gravação de comerciais, programas e séries.

Em agosto de 1987, no auge do sucesso do programa, Gugu assinou um contrato com a Rede Globo. Porém, no sábado de Carnaval de 1988, Silvio Santos foi pessoalmente à sala do dono da emissora carioca, Roberto Marinho, no jornal O Globo, pedir a liberação do apresentador para permanecer no SBT. Silvio iria se submeter a uma delicada cirurgia e fez uma proposta milionária a Gugu, oferecendo-lhe grande parte da programação dominical. Assim, o salário do apresentador aumentou em dez vezes, fora os ganhos com publicidade.

Gugu estreou nos domingos do SBT em 17 de abril de 1988, apresentando sozinho os quadros Passa ou Repassa e Cidade contra Cidade. Gugu também dividiu com Silvio Santos a apresentação do Roletrando e em 30 de outubro de 1988, estreou o quadro TV Animal. Mesmo apresentando parte da programação dominical, Gugu manteve-se à frente de atrações no sábado à noite, principalmente com programas musicais como o Sabadão Sertanejo. O maior sucesso, porém, veio com o Domingo Legal, que rivalizava exatamente com o Domingão do Faustão, programa ironicamente antes criado para ser seu. A concorrência, em fins dos anos 1990, foi durante muito tempo favorável a Gugu, que encerrou a década com picos acima de 40 pontos de audiência.

No dia 25 de junho de 2009, deixou o SBT e assinou um contrato de oito anos com a RecordTV. Com um salário mensal de três R$ 3 milhões, viria a comandar um programa dominical na emissora de Edir Macedo. Também tinha previsto um programa de entrevistas no canal de notícias Record News e um programa na Record Internacional.


Ida para RecordTV
Sua estreia na RecordTV se deu no dia 30 de agosto de 2009, com a estreia de seu programa dominical, intitulado apenas Programa do Gugu, e exibido às 20h. Em seu primeiro programa, além de erros técnicos, Gugu anunciou a presença do grupo internacional Blue Man Group e chamou seu novo programa erroneamente como Domingo Legal, o nome da atração que apresentou por mais de 15 anos no SBT. No bloco seguinte, Gugu desculpou-se pelo erro. Em maio de 2010, após sofrer com baixos índices de audiência, perdendo constantemente na Grande São Paulo para o Programa Silvio Santos, do SBT, seu programa passou a ser exibido às 16h00, após o Tudo é Possível.

Em 6 de junho de 2013, o a imprensa noticiou que Gugu Liberato deixaria a Record. O motivo da saída do apresentador seria o corte de verbas no seu programa feito antes do final do seu contrato. A Rede Record só viria a confirmar a saída do comunicado da emissora no final da tarde do dia posterior. No texto, o canal dizia que “a emissora e o apresentador consideram que o período de convivência profissional foi proveitoso para ambas as partes e atingiu seus objetivos”, e “ofereceu todas as condições para que Gugu e sua equipe desempenhassem o seu trabalho”.

Gugu apresentou seu último Programa do Gugu na RecordTV em 9 de junho de 2013. Ao final da atração, agradeceu ao público, a sua equipe de produção, aos colegas da Record e a própria emissora, a qual, segundo ele "sempre me proporcionou uma excelente estrutura e a oportunidade de estar junto de vocês todos esses domingos". Mesmo após a rescisão de seu contrato, de forma acordada entre ambas as partes, Gugu manteve por mais alguns meses vínculo com o Grupo Record. Dois meses após o Programa do Gugu sair do ar no Brasil, a Record Internacional estreou o programa Gugu com Diversão, sendo exibido às quintas-feiras, sábados e domingos, até o fim de 2013 — conforme o acordo firmado entre Gugu e a Record. O programa reaproveitava quadros previamente exibidos pela filial brasileira. A emissora também pagou uma multa milionária de rescisão, pela qual foi dada em pagamento um dos helicópteros Águia Dourada, marca do jornalismo da emissora.


Retorno à RecordTV
Em 1º de julho de 2014, a RecordTV anunciou um acordo com a GGP Produções, produtora de Gugu, acabando com um ciclo de suspense feito pela mídia em torno de sua carreira. Após dois anos afastado da TV, no dia 25 de fevereiro de 2015 aconteceu a estreia do programa da primeira temporada de Gugu na Record. No ar das 21h44 às 0h22, a volta de Gugu alcançou 17 pontos de média com pico de 19 e 30% de share, ante 19 da Globo, 8 do SBT e 1 da Band. Além da excelente estreia, a atração atingiu a liderança por 1 hora e 28 minutos. No programa de estreia, o apresentador exibiu uma entrevista exclusiva com Suzane von Richthofen que, pela primeira vez, revelou detalhes do crime em que teria planejado o assassinato de seus próprios pais.

Em 22 de setembro de 2015, foi ao ar o último programa da 1ª temporada de Gugu na RecordTV. Gugu Liberato renovou contrato com a emissora para mais uma temporada a partir de 2016 e, posteriormente, até 2017. Em 3 de fevereiro de 2016, foi ao ar o primeiro programa de 2016 de Gugu na Record. O programa passou a ser exibido semanalmente. A atração já não era mais por temporadas, e sim apresentada semanalmente, ao vivo, direto da sua produtora GGP, durante o ano de 2016 às quartas-feiras, no horário nobre da emissora.

O programa, que além de ser semanal era ao vivo, teve um formato diferente. Em 25 de janeiro de 2017, o programa voltou com os quadros e as entrevistas, que foram exibidos em 2016. O programa voltou ao vivo e totalmente repaginado em 22 de março de 2017, quando a RecordTV anunciou mudanças e novidades da nova programação de 2017. Em 27 de dezembro de 2017, foi ao ar o último programa de 2017 de Gugu na RecordTV. O programa se despediu definitivamente, quando a emissora anunciou a demissão da equipe do programa.

No dia 18 de abril de 2018, na faixa das 22h30, logo após o Jornal da Record, o apresentador assumiu a nova temporada do programa Power Couple Brasil, que passou a ser exibido de segunda à sexta-feira. Em 18 de julho do mesmo ano, estreou um novo programa na RecordTV, o Canta Comigo, exibido às quartas-feiras, às 22h30. Esse foi o último programa a ser apresentado por Gugu, cuja segunda temporada ainda estava sendo exibida em seu falecimento, sendo exibida até o final.


Outros empreendimentos
Em 1997, Gugu associou-se a empresários de Cuiabá, no Mato Grosso, para formar uma rede de televisão, sediada naquela cidade. De acordo com levantamento feito à época, o apresentador ficou com 49% das ações da Pantanal Som e Imagem. O caso veio a público durante a campanha presidencial de 2002, quando Gugu apresentava o programa de TV do então candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra. A concessão do canal chegou a ser anulado pelo então ministro das Comunicações, Juarez Quadros. Mas, em fevereiro de 2007, após uma longa disputa judicial, Gugu conseguiu ter de volta a concessão da TV Pantanal. Pelos planos do apresentador, a emissora se tornaria um canal de notícias, segundo os moldes da emissora americana Cable News Network (CNN). Um mês após reaver a concessão da Pantanal Som e Imagem, Gugu fechou um acordo de cessão dos estúdios da produtora GGP para a produção paulista da programação da Rede JB (antiga CNT).

Gugu também atuou no cinema, ao lado das apresentadoras infantis como Xuxa Meneghel e Angélica, e do grupo Os Trapalhões. Na música, lançou vários LPs e CDs, incluindo um álbum de estúdio nomeado Gugu Para Crianças, que vendeu mais de 100 mil cópias no Brasil, sendo premiado com disco de ouro pela ABPD. Entre seus sucessos estão Pintinho amarelinho, de 1994, A dança da galinha azul, de 1989 e Baile dos passarinhos, seu primeiro compacto, de 1983.

O apresentador recebeu onze estatuetas do Troféu Imprensa, as quais: Revelação, de 1982; Animador, de 1995 a 2000 e 2002; Programa de auditório, de 2008; e Programa sertanejo, de 1991 e 1992. Venceu também o Troféu Internet de programa de auditório em 2005. Gugu também lançou duas séries de revistas em quadrinhos, uma pela Editora Sequência e outra pela Abril Jovem, essa última leva foi entre 1988 e 1990, com vinte gibis e quatro almanaques.


Sensacionalismo
Nos anos 1990, o programa Domingo Legal exibia durante a tarde um quadro chamado Banheira do Gugu, que consistia em mulheres com biquínis minúsculos que tentavam impedir homens de sunga de encontrar sabonetes dentro de uma banheira com água. Em 2000, o Ministério Público reclassificou o programa, impedindo o quadro de ser exibido.

Como foi dito anteriormente, em fevereiro de 2015, Gugu entrevistou Suzane von Richthofen, condenada por ser mandante do assassinato de seus pais. As chamadas para que antecediam a entrevista diziam que Suzane "rompe o silêncio e faz revelações inéditas sobre o crime que chocou o Brasil". A entrevista rendeu 17 pontos de média e conquistou a liderança durante sua exibição, mas causou controvérsias.

Em 2016, Gugu Liberato abriu o túmulo de Dercy Gonçalves para investigar se a atriz, morta em 2008 aos 101 anos, realmente foi enterrada de pé. Para isso, Gugu foi com sua equipe ao mausoléu em forma de pirâmide, onde o corpo de Dercy foi sepultado.


Filhos
Em 10 de novembro de 2001, Gugu Liberato e a otorrinolaringologista Rose Mirian Souza Di Matteo tiveram um filho, João Augusto Liberato. Rose foi assistente de palco do programa Viva a Noite entre 1983 e 1985 e teve um romance com o apresentador em 1994, mas ambos optaram por não se casar. No Brasil, viviam em casas separadas. Em 25 de dezembro de 2003, o casal teve duas filhas gêmeas, Sofia e Marina.

Morte
Em 20 de novembro de 2019, Gugu sofreu uma queda de uma altura de cerca de 4 metros do sótão de sua casa em Orlando, na Flórida, Estados Unidos, enquanto tentava trocar o filtro do seu ar-condicionado. Sua companheira, Rose Mirian, estava em casa no momento e ajudou a socorrer o apresentador. Ele foi internado no hospital Orlando Health em estado grave em coma classificado como Glasgow 3, sendo diagnosticada a morte encefálica no dia 21 de novembro. Inicialmente, a morte foi confirmada como tendo sido no dia 22 de novembro pelo neurocirurgião brasileiro Guilherme Lepski, chamado aos Estados Unidos pela família. O médico confirmou que Gugu apresentava um quadro irreversível de morte cerebral, depois de avaliar as imagens dos exames. Um mês depois foi divulgado o laudo pericial, com a data considerada oficial de sua morte, 21 de novembro de 2019.

Respeitando o desejo do apresentador, a família autorizou a doação de órgãos que, segundo os médicos, beneficiariam até cinquenta pessoas. Depois dos trâmites legais para a liberação do corpo, este foi trasladado para o Brasil, chegando ao aeroporto de Viracopos, em Campinas, no dia 28 de novembro. De lá, seguiu em cortejo até a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na região central da cidade, onde teve início o velório, aberto ao público. No dia seguinte pela manhã, o corpo de Gugu seguiu em cortejo em um caminhão do Corpo de Bombeiros, para ser enterrado no Cemitério Gethsêmani, na zona sul da capital paulista.


Disputa pela herança
Após a morte de Gugu Liberato, a família do apresentador e sua ex-companheira, Rose Miriam di Matteo, vêm travando uma disputa intensa pela herança avaliada em R$ 1 bilhão. O ponto de partida para os atritos é o testamento formulado por Gugu em 2011 e lido poucas horas após o enterro, em 29 de novembro. No texto original, o patrimônio do apresentador deveria ser dividido entre seus três filhos e cinco sobrinhos. Excluída do testamento, Rose assinou o documento, mas logo em seguida decidiu acionar advogados para lutar por uma fatia da herança, situação não concluída até o momento.

Gugu Liberato abriu espaço para artistas de todas as vertentes, divulgou livros (e escreveu um), lançou brinquedos, criou programas e quadros tão populares quanto polêmicos. Trazia para o seu auditório muitas ideias não exatamente inéditas na televisão, mas inéditas na TV brasileira. Gugu também deixou sua contribuição para a popularização do gênero sertanejo no Brasil, se tornando o “o pai do sertanejo pop", que nos anos 1990 deu palco para os principais representantes do gênero.

Gugu Liberato renovou o comando e a audiência dos programas de auditório da televisão brasileira, ajudando a criar um jeito novo e bem brasileiro de fazer televisão. Seu auge como apresentador coincide com um período entre os anos 1980 e meados da primeira década do século XXI, em que os programas de auditório eram o principal local de lazer, eram a praça, do brasileiro.


Gugu
Foto: Divulgação


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