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Ziraldo, pai do Menino Maluquinho
 
 
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 ZIRALDO
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Ziraldo Alves Pinto nasceu em Caratinga (MG), em 24 de outubro de 1932. Muito conhecido pelo seu trabalho como escritor e cartunista, Ziraldo é atua também como chargista, pintor, dramaturgo, caricaturista, desenhista, humorista, colunista e jornalista. Personagens famosos, como O Menino Maluquinho (1980), foram criados por ele, fazendo com que, atualmente, se firmasse como um dos mais conhecidos e aclamados escritores infantis do Brasil.

Ziraldo contribuiu também com a fundação da revista humorística O Pasquim (1969), que segundo o Acervo O Globo, surgiu em plena vigência do Ato Institucional número 5 (o AI-5), símbolo dos anos de chumbo da Ditadura Militar. O jornal semanal "O Pasquim" foi um tabloide alternativo que com criatividade e irreverência tornou-se a voz crítica contra o regime ditatorial.



INFÂNCIA
Ziraldo passou a infância na cidade mineira de Caratinga com seus irmãos Zélio Alves Pinto (também desenhista, cartunista, jornalista e escritor) e Ziralzi Alves Pinto. Seu nome vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha e de seu pai Geraldo.

O talento para o desenho veio desde muito novo. Quando criança, desenhava em todos os lugares: na calçada, nas paredes, na sala de aula. Com seis anos teve um desenho seu publicado no jornal Folha de Minas. A leitura também está entre as paixões de Ziraldo que lia tudo que lhe caía nas mãos. Alguns dos autores lidos na infância foram Monteiro Lobato, Viriato Correa, Clemente Luz e todas as revistas em quadrinhos da época. Ele gostou muito quando leu o primeiro "gibi", chegou até a sentir que ali estava o seu futuro.

Em 1949, Ziraldo foi com a avó para o Rio de Janeiro, onde estudou por dois anos no MABE (Moderna Associação de Ensino). Retornou para Caratinga e concluiu o módulo científico (atual Ensino Médio) no Colégio Nossa Senhora das Graças.


UMA CARREIRA, MUITO LEGADO
Em 1954, Ziraldo começou a trabalhar no jornal Folha da Manhã (hoje Folha de São Paulo), desenhando em uma coluna de humor. Em 1957, formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais e foi para a revista O Cruzeiro, publicação de grande prestígio na época e que lhe rendeu grande notoriedade. A revista semanal ilustrada é bem antiga: foi lançada no Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 1928 e editada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand.

Em 1958, Ziraldo casou-se com Vilma Gontijo, depois de 7 anos de namoro. Ziraldo tem três filhos, Daniela, Antônio e Fabrízia e seis netos.

Em outubro de 1960, lançou a primeira revista brasileira de quadrinhos e colorida, intitulada Pererê. As histórias da revista já vinham sendo publicadas em cartuns nas páginas da revista O Cruzeiro, desde 1959 e se passavam na floresta fictícia “Mata do Fundão”. A publicação da revista durou até abril de 1964, quando foi suspensa pelo Regime Militar. Em 1975, a revista foi relançada com o nome de A Turma do Pererê, pela Editora Abril, mas só durou um ano.

Também em 1960, Ziraldo recebeu o "Nobel" Internacional de Humor no 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas e também o prêmio Merghantealler, principal premiação da imprensa livre da América Latina.

Em 1963, ingressou no Jornal do Brasil. Nessa época, em plena Ditadura Militar, lançou os personagens “Supermãe”, “Mineirinho” e “Jeremias, o Bom”, homem atencioso, elegante, vestido com terno e gravata e que estava sempre disposto a ajudar os outros. O personagem marcou as charges fazendo críticas aos costumes e ao comportamento da época.

Foi em 22 de junho de 1969, que o semanário “O Pasquim” foi lançado. Como já dito aqui anteriormente, o tabloide de humor e de oposição ao regime militar renovou a linguagem jornalística. A publicação contava com a participação de diversas personalidades importantes, como os cartunistas Jaguar e Henfil, o jornalista Tarso de Castro, além de Ziraldo e outras figuras famosas. Em novembro de 1970, toda a redação do jornal foi presa depois da publicação de uma sátira do célebre quadro do Dom Pedro às margens do Rio Ipiranga. A publicação, que fazia muito sucesso, circulou até 11 de novembro de 1991.

O ano de 1969 também marcou o lançamento do primeiro livro infantil de Ziraldo: Flicts. A publicação relata a história de uma cor que não encontrava seu lugar no mundo. Nesse livro, Ziraldo usou o máximo de cores e o mínimo de palavras.

Na década de 1970, com seu trabalho já consagrado, continuou abrindo caminhos no Brasil e no mundo. Desde 1972, seus trabalhos são sempre selecionados pela revista Graphis Anual e Graphis Porter.

Diversas revistas internacionais usam seus desenhos em capas, inclusive a Vision, a Playboy e a GQ (Gentlemen’s Quaterly). Seus cartuns percorrem revistas de várias partes do mundo. Alguns de seus desenhos foram selecionados para fazer parte do acervo do Museu da Caricatura de Basiléia, na Suíça.

A partir de 1979, Ziraldo passou a dedicar mais tempo à sua antiga paixão: escrever histórias para crianças. Nesse ano, publicou O Planeta Lilás, um poema de amor ao livro, em que mostra que ele é maior que o Universo, pois cabe inteirinho dentro de suas páginas.

Em 1980, Ziraldo recebeu sua maior consagração como autor infantil, na Bienal do Livro de São Paulo, com o lançamento de O Menino Maluquinho. Esse livro se transformou no maior sucesso editorial da feira e ganhou o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, em São Paulo.

Em 1994, O Menino Maluquinho, o Bichinho da Maçã, a Turma do Pererê e o próprio Saci-Pererê transformaram-se em selos comemorativos de Natal. Devido a essa homenagem dos Correios e Telégrafos ao artista, sua arte foi espalhada pelos quatro cantos do planeta, com votos de boas festas, feliz Natal e feliz ano novo. Os livros de Ziraldo já foram traduzidos para várias línguas, entre elas espanhol, italiano, inglês, alemão, francês e basco.

Como todo brasileiro, Ziraldo aprecia o carnaval. Foi um dos primeiros a desfilar com a Banda de Ipanema, ao lado de Albino Pinheiro, Leila Diniz e a turma do O Pasquim. Seu livro Flicts já foi enredo de escola de samba em Juiz de Fora, e Ziraldo desfilou no chão ao lado do filho Antônio. No carnaval de 1997, Ziraldo foi novamente homenageado. Desfilou no alto de um carro com um enorme Menino Maluquinho, do qual desceu com o auxílio de um guindaste!

Ziraldo também já teve diversas passagens pela televisão. Participou como jurado de inúmeros programas, festivais e até de concurso de Miss Brasil nos anos 1960. Foi um entrevistador muito comentado na TV Educativa, com o programa “Ziraldo — o papo”, no início dos 1990. Quando entrevistado, tem sempre pontos de vista interessantes a defender. Foi a personalidade que mais vezes compareceu ao programa “Jô Soares Onze e Meia”. Uma de suas frases mais conhecidas é "Ler é mais importante do que estudar". Outras ideias que ele lançou em entrevistas e que se tornaram quase campanhas públicas foram a de semear jardins de flores nas cidades e combater a subnutrição com macarrão vitaminado.

Em 1999, criou, de uma só vez, duas revistas que sacudiram os conceitos do ramo editorial: Bundas e Palavra. Bundas foi uma resposta bem-humorada à ostentação dos “famosos” que semanalmente aparecem na revista Caras. Reuniu grandes escritores, analistas políticos e cartunistas, muitos revelados n`O Pasquim. Ao contrário do que o nome podia sugerir, era uma revista que tratava de assuntos muito sérios, todos ligados ao destino político do país. Por sua vez, Palavra se destinava a divulgar e discutir a arte que se faz longe do eixo Rio—São Paulo, que concentra a maior parte das publicações nacionais do gênero. É uma revista marcada pelo requinte da produção gráfica e pela originalidade do conteúdo.

Por ter criado uma vasta obra na área da literatura infanto-juvenil, Ziraldo foi convidado, em 2000, para montar um parque de diversões temático em Brasília. No Ziramundo, as crianças podem rodar dentro da panela do Menino Maluquinho e subir à Lua com o Flicts.

Desde o ano de 2000 participa da "Oficina do Texto", maior iniciativa de coautoria de livros do mundo criada por Samuel Ferrari Lago, então diretor do Portal Educacional, onde já ilustrou histórias que ganharam textos de alunos de escolas do Brasil todo, totalizando aproximadamente 1 milhão de diferentes obras editadas em coautoria com igual número de crianças.

Mural pintado em 1967 por Ziraldo, restaurado pela UFRJ.



O MENINO MALUQUINHO: LIVRO E QUADRINHOS
Foi em 1980 que Ziraldo lançou o livro O Menino Maluquinho, um dos maiores fenômenos editoriais no Brasil. O Menino criado por ele é uma criança que vive com uma panela na cabeça, é alegre, sapeca, cheio de imaginação, adora aprontar e viver aventuras com os amigos.

Em 1981, o livro recebeu o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Em 1989, começou a publicação da revista e das tirinhas em quadrinhos do personagem. A obra serviu de inspiração para adaptações para o teatro, televisão, quadrinhos, videogames e cinema.

"Era uma vez um menino que tinha o olho maior que a barriga, fogo no rabo e vento nos pés." A frase abre o livro O Menino Maluquinho, que em 2010 completou 30 anos, sendo naquela data a centésima edição da publicação. Ainda naquele ano, segundo O Globo, o livro de Ziraldo registrava 2,5 milhões de cópias vendidas, disponível em 11 idiomas e comercializado em 21 países.

Maluquinho é um menino alegre, cheio de imaginação e que adora aprontar e viver aventuras com os amigos. Uma de suas manias é usar um panelão na cabeça, o que o diferencia dos demais. As histórias misturam um humor por vezes ingênuo (ainda que com uma certa escatologia típica da infância) com um certo gosto de nostalgia.

O próprio Ziraldo conta que a inspiração para criar o menino surgiu espontaneamente, enquanto ele fazia a barba e falava consigo mesmo olhando no espelho. Criado pelo cartunista tanto em texto quanto em imagem, Maluquinho rapidamente foi para as tiras e quadrinhos, onde ganhou alguns amigos, tais como a sensível e espevitada Julieta, que ganhou até revista própria na primeira década dos anos 2000.


FILME
Em 1995, Menino Maluquinho virou filme. Estrelado por Samuel Costa no papel-título, Patrícia Pillar, Roberto Bomtempo, Othon Bastos e Luiz Carlos Arutin, sendo produzido por Tarcísio Vidigal, dirigido por Helvécio Ratton e a canção-tema que foi composta e interpretada por Milton Nascimento. Muitos dos trechos do filme foram gravados na rua Congonhas, no bairro Santo Antônio, em volta de uma casa que é a residência do Menino Maluquinho durante o filme.

E o filme teve continuação: Menino Maluquinho 2 – a Aventura,  produzido em 1997. O filme conta novamente com Samuel Costa como o Menino Maluquinho. Também no elenco estão Stênio Garcia, Fernanda Guimarães e Antônio Pedro. O filme foi produzido por Tarcísio Vidigal e dirigido por Fernando Meirelles. Meirelles se tornaria mais conhecido posteriormente pelo filme Cidade de Deus (2002).


SÉRIE
Em 2005, foi produzida uma série para TV chamada de Um Menino muito Maluquinho, lançada pela TVE Brasil, posteriormente em posse da TV Brasil. Teve produção por Cao Hamburger e Anna Muylaert, com roteiros de Anna Muylaert. A direção da série foi de Cesar Rodrigues. Sua estreia ocorreu em 2006 tendo se tornado um sucesso na época, passando a ser exibida pela TV Cultura e Disney Channel no mesmo ano. Durou apenas uma temporada de 26 episódios de meia hora.

DO BRASIL PARA O MUNDO
As obras de Ziraldo já foram traduzidas para diversos idiomas e publicadas em revistas conhecidas internacionalmente, como a inglesa Private Eye, a francesa Plexus e a americana Mad. Em 2004, Ziraldo ganhou, com o livro "Flicts," o Prêmio Internacional Hans Christian Andersen. Em 2008, Ziraldo recebeu o VI Prêmio Ibero Americano de Humor Gráfico Quevedos. Em 2009, foi lançado o livro “Ziraldo em Cartaz”, que reúne cerca de 300 ilustrações para peças elaboradas pelo cartunista. Em 2016, Ziraldo recebeu a Medalha de Honra da Universidade Federal de Minas Gerais.

Ziraldo fez cartazes para inúmeros filmes do cinema brasileiro, como Os Fuzis (1964), Os Cafajestes (1962), Selva Trágica (1963), Os Mendigos (1962), etc. Foi no Rio de Janeiro que Ziraldo se consagrou um dos artistas gráficos mais conhecidos e respeitados nacional e internacionalmente.


OBRAS DE ZIRALDO
  • Flicts (1969)
  • Jeremias, o Bom (1969)
  • O Planeta Lilás (1979)
  • O Menino Maluquinho (1980)
  • A Bela Borboleta (1980)
  • O Bichinho da Maçã (1982)
  • O Joelho Juvenil (1983)
  • Os Dez Amigos (1983)
  • O Menino Mais Bonito (1983)
  • O Pequeno Planeta Perdido (1985)
  • O Menino Marrom (1986)
  • O Bicho Que Queria Crescer (1991)
  • Este Mundo é Uma Bola (1991)
  • Um Amor de Família (1991)
  • Cada Um Mora Onde Pode (1991)
  • Vovó Delícia (1997)
  • A Fazenda Maluca (2001)
  • A Menina Nina (2002)
  • As Cores e os Dias da Semana (2002)
  • Os Meninos Morenos (2004)
  • O Menino da Lua (2006)
  • Uma Menina Chamada Julieta (2009)
  • O Menino da Terra (2010)
  • Diário de Julieta (2012)


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