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Armstrong, com a Lua a seus pés
 
 
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Neil Armstrong dá seus primeiros passos na Lua após desembarcar da Apolo XI

O nome de Neil Armstrong entrou para a história em 20 de julho de 1969, quando o norte-americano se tornou o primeiro homem a pisar na superfície lunar. Milhões de pessoas assistiram pela televisão a proeza do astronauta. Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins, seus companheiros de Apolo XI — os três à época com 39 anos —, tornavam realidade um velho sonho da humanidade.

UM MENINO DE OURO
É provável que quando Neil Armstrong nasceu, em 5 de agosto de 1930, na granja de seus avós em Wapakoneta, no estado de Ohio (EUA), em seu destino estava escrito “eleito para a glória”. Porém, Armstrong só foi saber disso muito anos depois, quando se tornou o primeiro ser humano a pisar no solo lunar. Sua infância não pressagiava um futuro tão colossal. Neil não foi um garoto prodígio, tudo nele era discreto, salvo um detalhe: sua paixão por voar. Isso o tornava um garoto diferente dos meninos de sua idade.

Depois que sua pegada na Lua foi transformada na “maior aventura da história”, elaborou-se toda uma lenda romântica em torno desse personagem, que escapa do mundo das celebridades em seu refúgio em Ohio. Segundo essa lenda, ao dois anos, Armstrong começou a interessar-se por aviões. Teria sido precisamente no dia em que seu pai, Stephen Armstrong (1907-1990), o levou para assistir a Competição Nacional Aérea de Cleveland (EUA). O pequeno Neil enlouqueceu de alegria ao presenciar as cabriolas daqueles enormes e brilhantes pássaros de aço. Aos seis anos, Neil faria o seu primeiro vôo de avião. Após essas duas experiências, o jovem Armstrong começou a fantasiar a idéia de comandar uma aeronave.


PILOTO ANTES DE MOTORISTA
Durante os primeiros anos de sua adolescência, a firme decisão de ser piloto de avião o levou a trabalhar em múltiplos ofícios para poder custear suas aulas de vôo. Neil Armstrong conseguiu sua licença de piloto quando completou dezesseis anos, antes inclusive de obter sua carteira de motorista. A partir de então, a vida de Armstrong deu um grande giro. Imerso em seus sonhos e dotado de disciplina e perseverança notáveis, o jovem Neil passava horas no sótão de sua casa, experimentando com os modelos que ele mesmo criava. Não é de estranhar que aos dezessete anos ele encaminharia seus passos até a Universidade de Perdue, em Indiana (EUA), onde ingressou na carreira de engenharia aeronáutica, após conseguir uma bolsa de estudos. Dois anos mais tarde começou a Guerra da Coréia (1950-1953), que mudaria sua vida.

A GUERRA DA CORÉIA
O futuro astronauta foi chamado ao serviço militar em 1949, passando a integrar o corpo de pilotos da Estação Aérea Naval de Pensacola, na Flórida (EUA). Com apenas vinte anos Neil se tornou o piloto mais jovem de sua esquadrilha.

Durante o trágico episódio bélico, as forças da ONU tiveram 118.515 mortos, dos quais setenta mil eram sul-coreanos, 33.729 norte-americanos e 4.786 de outras nacionalidades; 264.581 feridos, 92.987 prisioneiros, perfazendo um total de 437.996 baixas. Do lado comunista, estima-se que o total de baixas teria chegado a 1,6 milhão de soldados. Também calcula-se que cerca de três milhões de civis norte-coreanos e quinhentos mil sul-coreanos perderam a vida em conseqüência da Guerra da Coréia.

Armstrong realizou 78 vôos em missões de combate, até seu avião ser derrubado. Ele salvou-se saltando de pára-quedas e regressou para os EUA com três medalhas. Voltou a concentrar-se em seus estudos e obteve os títulos de engenheiro aeronáutico e aeroespacial nas universidades de Purdue e Southern Califórnia. Em 1956, vivia com o soldo de piloto civil. Casou-se com Janet Shearon e no ano seguinte nasceu seu filho Eric. Assim era Armstrong: jovem, laureado por universidades, veterano de guerra e pai.

Em 1962, coincidindo com o vôo orbital de outro grande astronauta, John Herschel Glenn Jr., Armstrong ingressou como investigador civil na NASA. Abandonou Ohio e se mudou para El Lago, no Texas, para morar próximo ao centro de treinamento espacial. Nessa época, Neil Armstrong já tinha mais de quatro mil horas de vôo como piloto-chefe de um avião foguete X-15, mas teve de esperar até 14 de março de 1966 para sua primeira grande operação espacial: a Gemini VII, o enlace de duas naves em órbita, algo nunca feito até então. Ainda que a Gemini VII tenha alcançado seus objetivos, Neil Armstrong evitou uma tragédia com sua perícia e arrojo ao fazer uma aterrissagem de emergência no oceano Pacífico. Essa valorosa ação foi, sem dúvida, o aval definitivo para que, em janeiro de 1969, com 39 anos, ele fosse selecionado para ser o comandante da missão mais fabulosa levada a cabo pela humanidade até aquele momento: a conquista da Lua.


APOLO XI
Na manhã de 16 de julho de 1969, mais de dois milhões de pessoas com câmeras fotográficas e gravadores aguardavam nas praias de Coach Beach, perto do Cabo Kennedy, na Flórida (EUA), o lançamento do imponente foguete Saturno V. Entre essas pessoas também se encontravam importantes jornalistas e escritores, que não queriam perder aquela notícia irrepetível: Norman Mailer, Oriana Fallaci, Alberto Moravia (1907-1990)... O resto da população mundial, atenta aos rádios e televisores, aguardava o instante crucial em que a expedição Apolo XI, comandada por Neil Armstrong e integrada também pelo coronel Edwin Buzz Aldrin e o tenente coronel Michael Collins, iria partir para a conquista da Lua, deixando atrás de si um rastro de fogo e fumaça de quase dois quilômetros. Em 19 de julho a nave entrou na órbita lunar e, no dia seguinte, o comandante Neil Armstrong pronunciou a primeira de uma série de frases que entrariam para história: “Houston, aqui é a Base da Tranqüilidade, a Águia alunissou”. “Menos mal. Aqui havia uma porção de pessoas a ponto de ficarem azuis”, foi a resposta da base em Houton, nos EUA, de onde a NASA controlava a missão. Seis horas após a chegada da nave à Lua, em lugar denominado Mar da Tranqüilidade, Armstrong iniciou sua histórica caminhada. Eram 22h56min (hora do Leste norte-americano) de 20 de julho de 1969. O astronauta desceu uma pequena escada, degrau por degrau, e colocou seu pé esquerdo no solo lunar. Instantes depois, Neil pronunciou outra frase histórica: “É um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”. Aos passos de Armstrong seguiram, dezenove minutos depois, os de Edwin Buzz Aldrin. A epopéia resultou menos atrativa para Michael Collins, o único que não pôde descer: Collins permaneceu em órbita, ao redor da Lua, controlando do Módulo de Comando e Serviço.

LONGE DA FAMA
Após completar os aspectos científicos da missão, a Apolo XI fez seu regresso para a Terra a quarenta mil quilômetros por hora. Em 24 de julho de 1969, Armstrong, Aldrin e Collins amararam no oceano Pacífico e, como prevenção médica, esperaram 21 dias para saborear a glória eterna. Após receberem homenagens de dezessete países, os três astronautas tomaram caminhos distintos. Dois anos mais tarde, Armstrong renunciou à NASA e se dedicou à vida acadêmica, alternando essa faceta com a utilização de seus conhecimentos sobre pesquisa e tecnologia para diversas empresas, algumas das quais ele chegou a presidir. Nos últimos anos, Neil Armstrong tutelava uma companhia especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas complexas para organismos governamentais e industriais dos Estados Unidos. Apesar disso, seguiu intencionalmente distante da fama, refugiado nas entranhas de Ohio, onde viveu por algun tempo com sua família.

Armstrong morreu em 25 de agosto, aos 82 anos, devido a complicações após uma cirurgia de emergência no coração.