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Gutenberg, o criador da imprensa
 
 
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 A ERA DA LETRA IMPRESSA
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A Bíblia de 42 linhas foi o primeiro livro impresso
por Johannes Gutenberg em 1450

Com a introdução do papel, originário da China, na Europa do século XIII, assentaram-se as bases para a difusão das novas idéias que, a partir dos burgos, se irradiavam para o restante da sociedade medieval. Isso foi possível graças ao surgimento da imprensa.

Os textos da Antiguidade Clássica, que até esse então só haviam circulado entre os clérigos, chegaram às mãos de um público mais amplo, inspirando uma filosofia humanista, de índole racional. Independentemente da religião, a filosofia adquiriu força própria. A política seguiu o mesmo rumo, como a elaboração de novas propostas sociais. A igreja perdeu o controle absoluto da sociedade, e o dogma da fé deixou de ser a única resposta aos questionadores de uma realidade em transformação. Até a Bíblia, primeiro produto da imprensa, ao chegar diretamente a mais leitores, pôde ser objeto de novas interpretações. Desse modo, o livro tornou-se símbolo de cultura e, ao mesmo tempo, objeto de culto.

Nesse contexto, surgiu uma nova figura: a do intelectual, associado ao exercício crítico da leitura. Sobre essa base, as novas tendências ideológicas e políticas recorreram à difusão de seus textos em forma de livro. Outro passo decisivo foi o surgimento do jornalismo escrito, cuja difusão está intimamente vinculada à consolidação do hábito da leitura. Esse fenômeno se refletiu na literatura, que cresceu em suas possibilidades expressivas. O escritor adquiriu perfil próprio ao entabular um diálogo mais direto com o leitor. As línguas vernáculas adquiriram importância inusitada. A necessidade de intercâmbio cultural entre os diferentes idiomas possibilitou o surgimento de uma nova especialidade — a de tradutor — e a consolidação de uma nova atividade econômica — a editorial.

A invenção de Gutenberg é uma das maiores já feitas pelo homem. Foi após a sua criação que Lutero — por meio de um livro (a Bíblia traduzida para o alemão) e de um texto impresso (as teses afixadas na igreja de Wittenberg) —realizou a Reforma protestante. Foram também os livros, possibilitados pela invenção de Gutenberg, que fizeram o Iluminismo, e foi uma Enciclopédia a base do pensamento que motivou a Revolução Francesa e a criação de valores como Liberdade, Igualdade e Fraternidade.